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Eman Pulis, SiGMA/Forbes: por que Roma pode se tornar o centro da nova economia de iGaming da Itália

Tony Colapinto
Escrito por Tony Colapinto
Traduzido por Thawanny de Carvalho Rodrigues

Roma está deixando de ser apenas uma sede tradicional de eventos internacionais para se consolidar como um importante polo de infraestrutura do setor de iGaming na Itália. Eman Pulis, fundador da SiGMA Group, detalhou essa estratégia em uma recente entrevista à Forbes, destacando o objetivo de transformar Roma em um hub central para o mercado de jogos online em crescimento no país.

Essa abordagem já vem sendo aplicada em diversos mercados internacionais, integrando eventos, tecnologia, estruturas regulatórias e profissionais qualificados. O resultado é um impacto econômico mensurável para as cidades-sede e benefícios concretos ao longo de toda a cadeia de valor do iGaming.

O “efeito SiGMA”: quando uma cidade entra em outro ritmo

Grandes eventos do setor conseguem elevar rapidamente a atividade econômica nas cidades anfitriãs. Durante esses períodos, hotéis operam em capacidade máxima, restaurantes registram demanda contínua e serviços locais enfrentam maior utilização. Esses são indicadores claros do impacto econômico gerado por conferências de iGaming em larga escala.

O evento inaugural da SiGMA World em Roma, em novembro de 2025, gerou um impacto econômico estimado em € 100 milhões. Projeções indicam que esse valor pode subir para entre € 134 milhões e € 168 milhões anuais até 2030. Essas estimativas refletem fluxos financeiros diretos em setores como hotelaria, transporte, logística e serviços locais.

A visão empreendedora de Eman Pulis

Ao longo da última década, Eman Pulis transformou a SiGMA Group em uma plataforma global, expandindo para diversos mercados sem perder consistência operacional. O projeto nasceu em um momento em que o setor de eventos era considerado saturado, a partir de uma leitura estratégica de oportunidades de mercado.

“Quando comecei, muitos acreditavam que não havia espaço para novos formatos”, explica Pulis. O mercado era dominado por eventos consolidados nos Estados Unidos, Ásia e Londres. Ainda assim, o objetivo não era se encaixar em um calendário existente, mas redefinir o conceito de evento.

Um modelo que conecta o setor

Um dos principais avanços foi identificar a fragmentação do setor de iGaming, no qual afiliados, operadores e fornecedores atuavam de forma isolada. A integração desses grupos em um único evento foi uma decisão estratégica para ampliar colaboração e sinergia.

“Um afiliado pode se tornar operador; um fornecedor precisa dos afiliados para distribuir seus produtos. Mantê-los separados não refletia a realidade do mercado”, observa Pulis. Dessa visão nasceu a filosofia da SiGMA: priorizar relações humanas, fortalecer o networking e construir comunidade como infraestrutura econômica.

Do formato ao “geoclone” global

O modelo da SiGMA se tornou uma estrutura replicável, descrita por Pulis como um “geoclone” — a aplicação de um formato de evento testado em novos mercados, adaptado às realidades regulatórias e comerciais locais.

Após a pandemia, a SiGMA expandiu sua presença global para cidades como Dubai, Cidade do Cabo, São Paulo, Manila, Cidade do México, Roma e Bangkok, com eventos programados até 2026.

Glocalização e mercados emergentes

O plano de crescimento foca em mercados onde inovação tecnológica, jogos regulados e finanças digitais se encontram. Pulis define essa estratégia como “glocalização”, que combina padrões globais com adaptação às especificidades locais.

A Itália ocupa posição estratégica dentro desse cenário. Como o segundo maior mercado de iGaming da Europa, o país segue apresentando forte potencial de crescimento, especialmente no segmento de jogos online.

Roma como hub estratégico de iGaming

Estimativas apontam que Roma recebeu cerca de 30 mil delegados durante o evento da SiGMA World em 2025, com projeções de até 50 mil participantes até 2030. Os números reforçam o potencial da cidade como plataforma internacional de iGaming.

“Quando a SiGMA chega, a cidade muda”, afirma Pulis. O impacto vai além dos grandes operadores, alcançando todo o ecossistema local — de mão de obra técnica a fornecedores. O resultado é um efeito econômico amplo e de valor tangível.

Confiança e alinhamento cultural

Além dos indicadores econômicos, surge um fator menos visível, mas igualmente importante: a confiança. “Malta e Itália têm uma afinidade natural”, destaca Pulis. Em um setor no qual relações informais são tão relevantes quanto contratos formais, o contexto cultural se torna um ativo estratégico.

Regulação e equilíbrio de mercado

A regulação é um ponto central. Para Pulis, o jogo regulado é o único caminho sustentável. Restrições excessivas ou alta tributação podem empurrar o mercado para operadores offshore, reduzindo controle e proteção ao consumidor.

“Se o mercado legal encolhe, o ilegal cresce”, observa. Esse equilíbrio sensível envolve governos, reguladores e toda a indústria. Há ainda o risco de que o setor seja utilizado como instrumento político, com efeitos negativos para todos os lados.

Tecnologia e inovação no setor

Dentro desse contexto, a SiGMA World atua como plataforma de diálogo entre operadores, reguladores e inovadores. A iniciativa AIBC introduz tecnologias como inteligência artificial, blockchain e big data nas discussões do setor.

“A tecnologia para identificar o jogo problemático já existe”, afirma Pulis. O desafio está em sua aplicação eficiente, criando um ecossistema no qual inovação e regulação atuem de forma complementar, e não oposta.

A dimensão social

O modelo da SiGMA também incorpora uma vertente social por meio da SiGMA Foundation, que busca gerar impacto positivo mensurável em escala.

“Ser milionário não é apenas sobre riqueza, mas sobre o impacto que você gera”, argumenta Pulis. Essa abordagem também contribui para transformar a percepção pública da indústria.

O ponto de virada

A pandemia representou um momento crítico. Com eventos presenciais suspensos, o modelo parecia ameaçado. “Achei que o negócio tinha acabado”, relembra Pulis.

No entanto, o período abriu espaço para transformação. A expansão para Dubai, o lançamento de um fundo de venture capital e a criação da fundação redefiniram o projeto. “A Covid foi o maior ponto de virada positivo”, afirma.

Um modelo em evolução contínua

A filosofia operacional segue baseada em avanços graduais. “Foque em pequenas vitórias”, explica Pulis, destacando uma abordagem adaptativa e incremental.

Hoje, a SiGMA funciona como uma plataforma de análise do desenvolvimento de mercado, com foco na interação entre regulação, tecnologia e relações do setor.

Roma como campo de testes global

Roma se consolida como um ambiente estratégico de testes devido à sua escala econômica e à capacidade de conectar stakeholders, instituições e o público em geral.

O futuro da economia do iGaming não dependerá de um único evento, mas da capacidade de construir uma linguagem econômica compartilhada. “A falta de diálogo prejudica a todos”, conclui Pulis.

O ecossistema do iGaming será moldado pelo equilíbrio entre forças de mercado, estruturas regulatórias, dinâmicas locais e globais e pela integração entre lucro e responsabilidade social. Essa transformação vai além de eventos individuais, posicionando plataformas como a SiGMA como pontos centrais de conexão entre capital, inovação e mercados emergentes.

Todos os caminhos levam à mãe de todas as conferências em Roma, de 2 a 5 de novembro de 2026. A SiGMA World toma conta da Fiera Roma, reunindo 30.000 participantes, mais de 1.000 expositores e mais de 550 palestrantes especialistas. É aqui que o ambiente certo pode mudar toda a sua estratégia.

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