A frequência aos cassinos localizados nas zonas oficiais de jogos da Rússia aumentou 7,1% no primeiro semestre de 2026 em comparação com o mesmo período de 2025. Segundo dados da Associação dos Operadores da Indústria de Turismo de Entretenimento e Eventos (AIRIS), mais de 1 milhão de turistas russos e estrangeiros visitaram as zonas de jogos do país entre janeiro e junho.
O aumento no número de visitantes coincidiu com a expansão da própria rede de zonas de jogos. As autoridades aprovaram a criação de dois novos complexos, um deles desenvolvido com o apoio do maior banco da Rússia, o Sberbank. Paralelamente, o Kremlin também avalia uma nova estratégia para o setor: no início deste ano, o ministro das Finanças, Anton Siluanov, propôs revogar a proibição dos cassinos online, em vigor desde 2009, como uma forma adicional de aumentar a arrecadação pública.
Os complexos mais visitados
Segundo o Vedomosti, principal jornal de negócios da Rússia, o complexo mais visitado do país é o Krasnaya Polyana, em Sochi. Juntos, o Casino Sochi e o Bumerang receberam mais de 466 mil visitantes no primeiro semestre do ano, um crescimento de 6%. A segunda posição ficou com o Casino Sobranie, na região de Kaliningrado, que registrou um expressivo aumento de 30% em relação a 2025. Completando o top 3 está o Casino Shambala, em Primorye, que também apresentou crescimento de 6%. Há poucos anos, o empreendimento ainda estava em fase de implantação; hoje figura entre os cassinos mais visitados da Rússia.
“Em um momento desafiador para o setor de turismo, as zonas de jogos continuam sendo importantes polos de atração. Elas garantem um fluxo constante de visitantes para as regiões russas e impulsionam o desenvolvimento econômico local.”
Dmitry Anfinogenov, diretor-executivo da AIRIS
Mercados asiáticos impulsionam o crescimento
O Extremo Oriente russo é o principal responsável pelo atual ritmo de expansão. Segundo Alexei Chekunkov, ministro para o Desenvolvimento do Extremo Oriente e do Ártico, o número de turistas na região aumentou 91% nos quatro primeiros meses de 2026, impulsionado pelos acordos de isenção de visto firmados com a China. A zona de jogos de Primorye, localizada próxima a Vladivostok, recebeu 856,5 mil visitantes em 2025, um aumento de 12% em relação ao ano anterior. O fluxo de turistas provenientes da China e de outros países da região Ásia-Pacífico cresceu 9%. As autoridades russas estimam que cerca de 6,5 milhões de turistas estrangeiros visitarão o país até o fim de 2026, tendo China, Índia e países do Sudeste Asiático como mercados prioritários.
O que mostram os dados
Segundo dados da Blask, atualizados em 20 de julho de 2026, a Rússia ocupa a quinta posição mundial no indicador Competitive Earnings Benchmark (CEB), com US$ 9,54 bilhões distribuídos entre 185 marcas monitoradas.

Entretanto, o perfil de interesse dos jogadores difere do que os investimentos em infraestrutura de cassinos poderiam sugerir. Dados de pesquisa da Blask mostram que 89% dos usuários participam de apostas esportivas tradicionais, enquanto apenas 9% utilizam cassinos. Em outras palavras, tanto o governo quanto as empresas estão ampliando seus investimentos em estabelecimentos físicos em um segmento que, em termos de público, continua significativamente menor do que o mercado de apostas esportivas.

A aposta em Altai
O principal símbolo da atual onda de expansão é a nova zona de jogos da República de Altai, projeto apoiado pelo CEO do Sberbank, German Gref. O complexo será construído no resort de esqui Manzherok, também pertencente ao banco. O cientista político Andrei Kuznetsov afirmou que a criação da nova zona demonstra a forte influência política exercida por Gref e pelo governador de Altai, Andrei Turchak, acrescentando que o futuro cassino será “comparável a Macau”. A aposta, porém, é considerada arriscada diante do contexto socioeconômico da região. A República de Altai está entre as regiões mais pobres da Rússia, com 13,8% da população vivendo abaixo da linha da pobreza. Outro fator de preocupação é o desempenho da vizinha zona de jogos Sibirskaya Moneta, já em operação, que registrou uma queda próxima de 5% no lucro líquido, levantando dúvidas sobre a viabilidade econômica do novo empreendimento.
Crimeia ainda aguarda
Nem todas as zonas de jogos anunciadas avançam conforme o planejado. A zona de jogos de Yalta foi oficialmente criada em 2014 e teve seus limites definidos em 2019, mas o projeto jamais entrou em operação. A Crimeia, anexada pela Rússia em 2014 e considerada território ucraniano ocupado pelas resoluções da Assembleia Geral das Nações Unidas, continua sendo uma região de elevado risco para investimentos. Seu status afasta tanto investidores estrangeiros quanto parte dos investidores russos, direcionando recursos para projetos considerados mais previsíveis, como os localizados em Kaliningrado e no Extremo Oriente.
O modelo das zonas exclusivas é questionado
O setor ainda não chegou a um consenso sobre a eficácia do modelo que restringe os cassinos a zonas remotas previamente designadas, em vez de permitir sua instalação em grandes centros urbanos. Os críticos defendem a autorização para que cassinos operem em qualquer grande cidade, enquanto representantes da indústria também sugerem a criação de uma zona de jogos próxima a Moscou. Debate semelhante envolve a proposta de legalização dos cassinos online. O Ministério das Finanças estima que o mercado regulamentado de apostas da Rússia movimentou RUB 1,7 trilhão (US$ 22,2 bilhões) em 2024, enquanto o mercado ilegal de jogos de azar online alcançou aproximadamente RUB 3 trilhões (US$ 39,1 bilhões).
Caso a proposta seja aprovada, os cassinos online seriam tributados em 30% da receita bruta, e o ministério calcula que a legalização poderia gerar entre US$ 1,2 bilhão e US$ 1,3 bilhão por ano aos cofres públicos. A proposta já enfrenta resistência — e não apenas por motivos econômicos. Representantes da Igreja Ortodoxa Russa (ROC) criticaram os planos do Ministério das Finanças, alertando que a legalização poderia enfraquecer os “valores tradicionais” e agravar os problemas relacionados ao vício em jogos. Vakhtang Kipshidze, vice-chefe do Departamento Sinodal para Relações da Igreja com a Sociedade e a Mídia da ROC, escreveu em seu canal no Telegram: “É compreensível que qualquer Ministério das Finanças procure novas fontes de receita para o orçamento. Mas, no caso desses 100 bilhões em questão, esse dinheiro será, na prática, retirado de famílias russas que já convivem com pessoas viciadas em jogos ou que poderão desenvolver esse problema em decorrência dessa medida questionável.” Ele acrescentou que a legalização agravaria a situação demográfica do país, considerada especialmente delicada nos últimos anos.
A proposta do ministro das Finanças, Anton Siluanov, continua sob análise da Presidência, sem que uma decisão oficial tenha sido anunciada. Enquanto isso, a expansão da rede de zonas de jogos presenciais avança sem enfrentar obstáculos públicos e, a julgar pelos números de visitantes, já apresenta resultados concretos.
Este artigo foi publicado originalmente na página russa da SiGMA News em 20 de julho de 2026.
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