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Como a IA está transformando start-ups à medida que fundadores se adaptam ao reajuste do mercado

Jenny Ortiz-Bolivar
Escrito por Jenny Ortiz-Bolivar
Traduzido por Thawanny de Carvalho Rodrigues

Start-ups em todo o mundo estão se ajustando a uma nova realidade operacional, à medida que uma correção global de mercado redefine os fluxos de financiamento, as expectativas de saída e as prioridades dos fundadores. De acordo com o Global Startup Ecosystem Report 2025, da Startup Genome, o valor agregado dos ecossistemas caiu 31% em relação ao relatório anterior, refletindo um ajuste após a inflação de valuations impulsionada pela pandemia.

O número de grandes saídas avaliadas acima de US$ 50 milhões recuou 40%, aumentando a pressão sobre os fundadores para operarem de forma mais enxuta e demonstrarem resiliência mais cedo em seus ciclos de vida. Apesar dessa retração, a tendência de longo prazo permanece positiva. Desde 2019, o valor global dos ecossistemas cresce a uma taxa anual composta de 11%, indicando que o momento atual representa um reset, e não uma reversão estrutural.

A IA se torna o principal pilar do investimento em estágios iniciais

A inteligência artificial (IA) desponta como o maior vetor de crescimento no ciclo atual de startups. O investimento de venture capital em startups de IA e Big Data aumentou 33% no último ano e agora representa 40% de todo o capital de risco global, frente a 26% em 2021.

As rodadas Série A de start-ups de IA são, em média, quase o dobro do tamanho das levantadas por empresas de outros setores, refletindo a confiança dos investidores de que companhias nativas em IA estão mais bem posicionadas para escalar com eficiência em um ambiente de capital mais restrito.

Em entrevista à SiGMA TV, a fundadora da Beyond Play e autora de Her Play, Karolina Pelc, afirmou que a IA está transformando a forma como os fundadores constroem e lideram empresas.

“O que vejo a IA fazendo é potencializar fundadores realmente brilhantes”, disse Pelc. “Antes, você podia ter um excelente fundador, mas muitos elementos do negócio ainda dependiam da equipe. A IA dá a eles a capacidade de se multiplicar.”

Alavancagem do fundador substitui expansão de equipes

Em um cenário em que contratações agressivas deixaram de ser o padrão, os fundadores estão usando a IA para ampliar suas próprias capacidades, em vez de inflar equipes prematuramente. Segundo Pelc, essa mudança está redefinindo as expectativas de execução e produtividade nas fases seed e Série A.

Ela também destacou aplicações emergentes que vão além da eficiência operacional. “Outro aspecto da IA que eu realmente gosto é a capacidade de reconhecer tom, empatia e sentimento”, afirmou, citando casos de uso em desenvolvimento profissional e saúde mental.

No entanto, o avanço da IA também acentuou desequilíbrios globais. Dados da Startup Genome mostram que mais de 90% do capital de risco destinado a startups nativas em IA fundadas em 2023 e 2024 foi para os Estados Unidos e a China, sendo que o Vale do Silício, sozinho, capturou 63% desse volume.

Ecossistemas desafiam a retração por meio de execução

Enquanto Europa e América Latina registraram quedas mais acentuadas no valor dos ecossistemas — 24% e 45%, respectivamente —, diversas regiões conseguiram se destacar por meio de execução focada e alinhamento de políticas públicas, segundo o relatório da Startup Genome.

Filadélfia subiu 35 posições em cinco anos e alcançou o 13º lugar global, recebendo pontuação máxima em transição para negócios nativos em IA. Bengaluru-Karnataka avançou para a 14ª posição após grandes saídas, incluindo o IPO da Swiggy, enquanto Istambul saltou para o terceiro lugar entre os ecossistemas emergentes, impulsionada por um aumento de 142% no financiamento total de venture capital.

Investidores dobram a aposta em pessoas, não em aparência

Para investidores em estágios iniciais, o atual ajuste de mercado reforçou uma abordagem centrada nas pessoas. Segundo Pelc, a maturidade do produto é menos relevante do que o comportamento do fundador nas fases mais iniciais.

“Eu invisto principalmente em empresas em estágio inicial. Isso significa que invisto em pessoas”, afirmou. “Analiso o que essas pessoas já fizeram antes e observo seus primeiros movimentos.”

Ela acrescentou que resiliência e capacidade de recuperação rápida são características decisivas. “Costumo me comparar a eles quando penso na capacidade de reagir rápido, de pivotar rápido, de cair com força e se levantar o mais rápido possível”, disse Pelc.

O medo do fracasso ainda é o principal obstáculo à reinvenção

À medida que os fundadores enfrentam pivôs estratégicos, novas tecnologias e processos de reinvenção pessoal, o medo continua sendo um fator limitante. Pelc afirma que, muitas vezes, o que impede a ação não é a falta de competência, mas a hesitação.

“A maior barreira para as pessoas realmente perseguirem seus sonhos e tentarem algo novo é o medo do fracasso”, afirmou. “Confiança, resiliência e a capacidade de superar esse medo são habilidades que podem ser desenvolvidas.” 

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