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O que vai impulsionar o crescimento dos jogos de cartas nos cassinos online da África

Garance Limouzy
Escrito por Garance Limouzy
Traduzido por Thawanny de Carvalho Rodrigues

Especialistas do setor, Dmitry Starostenkov, da Evenbet Gaming, e Gali Hartuv, CEO e cofundador da WarriorLab, discutiram o que pode impulsionar o crescimento dos jogos de cartas nos cassinos online da África. Em um webinar realizado em parceria com a iGaming AFRIKA, Dmitry e Gali compartilharam suas visões sobre os fatores que tendem a favorecer o desenvolvimento desse mercado no continente africano.

Variantes de jogos, design, idioma e estratégias de pagamento para a África

A África não é um mercado único: o continente reúne mais de 50 países, o que exige soluções sensíveis às relações sociais e aos interesses locais. Oferecer opções de idioma como suaíli, iorubá, zulu e árabe é fundamental, e não se limitar apenas a produtos em inglês.

No que diz respeito aos sistemas de pagamento, é essencial lembrar que o mobile money é amplamente utilizado na África. Por isso, os operadores também devem priorizar opções de pagamento com depósitos baixos e transações de pequeno valor.

Quando o assunto é design e experiência do usuário (UX), os jogos precisam ser totalmente repensados para atender às particularidades do mercado africano. O processo de onboarding, o nível de complexidade dos jogos e os materiais de treinamento devem ser diferentes e desenvolvidos desde o início com esse público em mente.

Como os operadores podem se adaptar aos desafios de conectividade

Quando se fala em mobile-first, isso reflete o fato de que entre 70% e 90% dos usuários africanos dependem de serviços móveis. “Na África, a conectividade móvel também é o único meio de acesso ao jogo online. Por isso, o sucesso depende diretamente de jogos rápidos e leves, que sejam facilmente acessíveis ao mercado”, afirma Gali.

“Nesses casos, os operadores precisam priorizar velocidade e simplicidade”, acrescenta. “Isso significa aplicativos menores, carregamento rápido das mesas e, possivelmente, modos offline ou de baixo consumo de dados. A experiência do jogador deve considerar interrupções de rede para evitar frustrações”, completa. Além disso, os operadores devem buscar parcerias com provedores de rede locais.

De modo geral, trata-se de encontrar o jogador onde ele está, em vez de esperar que ele se adapte à lógica dos jogos.

“A inovação não deve avançar mais rápido do que a acessibilidade.”

-Dmitry Starostenkov, Evenbet Gaming

O papel das tecnologias emergentes na diferenciação dos jogos de cartas

A principal tendência tecnológica emergente no momento é o uso de Inteligência Artificial e aprendizado de máquina (IA/ML). “Os jogos de cartas são, em sua maioria, experiências player vs player, e é fundamental usar tecnologias como IA para implementar sistemas de pareamento adaptativo. Isso ajuda a conectar jogadores com níveis de experiência semelhantes, garantindo uma melhor experiência”, explica Dmitry.

A IA/ML também auxilia na detecção de atividades fraudulentas, que se tornaram mais frequentes no setor. Além disso, essas tecnologias permitem oferecer experiências personalizadas aos jogadores. Ao analisar o histórico e o comportamento do usuário, a IA pode criar ofertas sob medida.

O blockchain é outra tecnologia emergente que pode ser utilizada para otimizar a experiência do usuário, especialmente em um continente mobile-first como a África. Essa tecnologia pode simplificar e acelerar os pagamentos entre operadores e jogadores. “A inovação não deve superar a acessibilidade”, reforça Dmitry.

Estruturação de torneios e programas de fidelidade para aumentar a retenção

“Na minha opinião, retenção não significa manter o jogador ativo por mais tempo, mas garantir que ele volte”, afirma Gali. Muitas vezes, há uma interpretação equivocada do que realmente significa lealdade do jogador.

Se os operadores pretendem criar torneios que pareçam vivos e inclusivos, o foco precisa estar no principal objetivo dos jogos de cartas: promover o senso de comunidade. “Assim como em qualquer programa de fidelidade, é importante que os jogadores se sintam parte de algo”, destaca Gali.

Nos jogos de cartas, os jogadores gostam de ver rostos conhecidos, apelidos reconhecíveis e avatares familiares. Quando esse aspecto é combinado com torneios regulares, o impacto é significativo. Os programas de fidelidade precisam ir além de recompensas baseadas apenas em depósitos. Reconhecer que esses são jogos de tempo e habilidade demonstra valorização dos jogadores por trás da tela.

Quando os jogadores se sentem valorizados, observa-se um aumento natural nas indicações, especialmente em um continente onde a cultura do boca a boca é forte. Comunidade e pertencimento são os principais motores da monetização, justamente por serem orgânicos, e não meramente transacionais.

O crescimento dos jogos de cartas na África depende de localização, acessibilidade e engajamento orientado pela comunidade. Em última análise, o crescimento sustentável virá da construção de ecossistemas inclusivos que priorizem comunidade, confiança e valor de longo prazo para o jogador, em vez de uma monetização imediatista.

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