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Presidente da SAPAR, Sergio D’Angelo: “O futuro já começou” — reforma, inovação e o papel central dos operadores

Tony Colapinto
Escrito por Tony Colapinto
Traduzido por Thawanny de Carvalho Rodrigues

Compartilhamento, diálogo e uma visão industrial que vai além da urgência regulatória. Em seus primeiros seis meses à frente da SAPAR, a Associação Nacional de Operadores de Máquinas de Entretenimento, o presidente Sergio D’Angelo traçou uma direção clara baseada na coesão interna e em um engajamento estruturado com instituições e comunidades locais. Trata-se de uma mudança decisiva em um momento crucial para o setor de jogos legais, que enfrenta simultaneamente a reforma do jogo presencial, a inovação tecnológica e uma narrativa pública muitas vezes hostil ou distorcida.

Uma associação “em movimento”: o ponto de virada dos primeiros seis meses

Ao avaliar a fase inicial de seu mandato, D’Angelo fala abertamente de um “novo caminho” para a SAPAR — um percurso que começa de dentro para fora e se apoia em um conceito central: o compartilhamento. “A palavra de ordem da nova fase da SAPAR é compartilhamento e diálogo”, explica o presidente, esclarecendo que sua função é “reunir e harmonizar as necessidades de todos os associados”.

Esse é um processo que envolve toda a estrutura organizacional e busca construir uma posição unificada a ser apresentada aos tomadores de decisão políticos e institucionais. “Um processo interno de compartilhamento cujo objetivo é o diálogo com as instituições e a política, para definir soluções equilibradas e eficazes que respeitem todas as necessidades”, afirma D’Angelo. A SAPAR, acrescenta, não pode se dar ao luxo de ficar parada. “Em suma, uma SAPAR em movimento porque, como diz o conhecido ditado, ‘quem para, fica para trás’.”

Reforma do jogo presencial: a linha vermelha da SAPAR

A reforma do jogo presencial segue sendo o tema mais sensível da agenda. No ENADA Workshop 2025, D’Angelo estabeleceu uma linha vermelha clara, defendendo o pleno reconhecimento jurídico dos operadores e a centralidade da cadeia produtiva italiana. Caso seja convidado a participar de uma mesa técnica do governo, ele afirma que levará prioridades precisas e inegociáveis.

“Os principais pontos que levamos às mesas políticas e institucionais são, na prática, quatro: maior segurança para o jogador, mais entretenimento, melhor equilíbrio tributário e respeito às receitas do Estado”, afirma. Soma-se a isso a sustentabilidade ambiental, que completa o perfil do novo AWP apresentado pela SAPAR no ENADA 2025. “Esse novo AWP demonstra que todos esses pontos já contam com uma solução viável”, explica D’Angelo, concluindo com uma mensagem clara: “Para nós, da SAPAR, o futuro já começou”.

Operadores como salvaguarda econômica e social das comunidades locais

Uma das mensagens mais enfáticas reiteradas por D’Angelo diz respeito ao papel dos operadores como salvaguarda industrial e social do jogo legal. Nos últimos anos, observa ele, o setor foi chamado a assumir responsabilidades significativas. “Os operadores foram instados a investir, capacitar equipes, assumir responsabilidades e fazer sacrifícios”, relembra, destacando que foram eles que viabilizaram “a transição do jogo físico ilegal para o jogo legal”, a partir do início dos anos 2000.

Os números contam uma história frequentemente ausente do debate público. “Ao longo dos últimos 20 anos, o setor de entretenimento permitiu ao Estado arrecadar cerca de € 100 bilhões”, ressalta D’Angelo, acrescentando que, atualmente, continua sendo “o maior contribuinte, respondendo por 36% de toda a arrecadação tributária do jogo, o equivalente a 10% de todos os jogos do Estado na Itália”. Sem os operadores, alerta, “não haveria inovação nem sustentabilidade para toda a cadeia produtiva”, e o risco seria “o retorno do jogo ilegal, com consequências perigosas para jogadores, empresas e para o Tesouro”.

Autoridades locais e um arcabouço regulatório em “semáforo”

O diálogo com as autoridades locais representa outro pilar estratégico da nova orientação da SAPAR. Encontros com representantes institucionais, inclusive durante a assembleia anual da ANCI, evidenciaram um cenário regulatório fragmentado. “Nos últimos anos, a Itália passou a ser marcada por um mosaico de normas”, explica o presidente, referindo-se a “zonas vermelhas, caracterizadas por uma espécie de proibicionismo; zonas amarelas, com medidas parcialmente restritivas; e zonas verdes, onde as necessidades de emprego e da indústria são consideradas”.

Segundo D’Angelo, isso gera distorções relevantes. “Uma espécie de sistema regulatório em forma de semáforo que, em muitos casos, impede que dois estabelecimentos semelhantes, separados por poucos quilômetros, operem sob as mesmas condições.” Por isso, a SAPAR defende políticas mais equilibradas e não discriminatórias, que não penalizem seletivamente o jogo público legal.

Limites de distância, dados e o fracasso do proibicionismo

Ao tratar das restrições de distância, D’Angelo recorre a evidências científicas frequentemente ignoradas. “Em 2018, o Instituto Superior de Saúde da Itália apresentou o estudo mais detalhado já publicado no país sobre jogos”, recorda, destacando que a pesquisa mostrou como os limites de distância “produziram efeitos opostos àqueles para os quais foram criados”.

Jogadores com comportamento problemático, explica ele, “tendem a jogar longe de locais onde possam ser reconhecidos”, e afastar os pontos de jogo das áreas urbanas pode, na prática, estimular comportamentos mais arriscados. Embora reconheça o valor ético dessas medidas para a proteção de jovens e grupos vulneráveis, D’Angelo é categórico ao afirmar que “o combate ao vício em jogos exige educação e informação, não proibicionismo — algo que a história já demonstrou ser ineficaz”.

Inovação tecnológica e paridade com o jogo online

Ao olhar para o futuro do entretenimento, D’Angelo descreve um AWP avançado como “uma concentração de tecnologia a serviço da segurança e do divertimento”, respeitando também as necessidades dos operadores. Nesse cenário em transformação, a relação entre o jogo online e o presencial precisa mudar de forma estrutural. “A relação entre online e presencial precisa se tornar equilibrada”, defende, apontando para um sistema hoje desequilibrado “em termos de payout e tributação”, em favor das plataformas digitais.

Reputação do setor e o papel ativo da SAPAR

O presidente não evita abordar os desafios de reputação do setor. “Hoje, em nível global, o setor de jogos enfrenta um problema evidente de reputação”, afirma, observando como o jogo legal e o ilegal costumam ser confundidos no discurso público. A SAPAR, segundo ele, pretende agir ativamente para combater essa narrativa.

“Não somos entidades abstratas: estamos presentes nas comunidades locais e, como tal, também somos uma garantia de legalidade”, afirma D’Angelo. Quando surgem representações distorcidas, a associação reage “solicitando correções e apresentando dados e argumentos para restabelecer um retrato fiel”, com o objetivo de afirmar “a dignidade do nosso trabalho e a legitimidade de um setor que merece respeito”.

Made in Italy, operadores e o desafio global

No contexto da reforma, um dos maiores riscos é que os operadores italianos sejam pressionados entre grandes multinacionais e plataformas digitais. “Proteger os operadores significa proteger o Made in Italy”, afirma o presidente, descrevendo-os como verdadeiros “artesãos do jogo”, cujo valor está na relação com os usuários e na proteção do interesse público.

A visão da SAPAR também ultrapassa as fronteiras nacionais. “Por anos demais, as empresas italianas de jogos permaneceram restritas ao mercado interno”, observa D’Angelo, delineando a intenção de “construir redes e atuar de forma coletiva”, orientando as empresas associadas rumo a mercados internacionais, inclusive por meio das oportunidades oferecidas pelos eventos da SiGMA.

“O futuro já começou”

Em suas considerações finais, Sergio D’Angelo sintetiza o espírito de sua presidência com uma citação emblemática. “O futuro começa hoje, não amanhã”, disse o Papa João Paulo II. “Como presidente da SAPAR, eu digo: o futuro já começou”, conclui D’Angelo. Uma afirmação que traduz a ambição de uma associação determinada a desempenhar um papel central na construção do presente — e do futuro — do setor de jogos legais na Itália.

Este artigo foi publicado originalmente em italiano em 15 de dezembro de 2025.

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