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Elya Lan fala sobre branding global e o custo humano do sucesso

Kateryna Skrypnyk
Escrito por Kateryna Skrypnyk
Traduzido por Thawanny de Carvalho Rodrigues

Um líder forte não teme a comunicação aberta em todos os níveis; ele a utiliza como uma ferramenta estratégica para aumentar a eficiência do negócio. Em entrevista exclusiva à SiGMA News, Elya Lan, CBDO da 1w Partners, falou sobre isso. Segundo ela, a transparência e o diálogo honesto dentro da equipe foram fatores-chave que permitiram à empresa crescer de start-up a marca internacional.

Lan também avaliou as capacidades da Geração Z, dissipou estereótipos sobre líderes e compartilhou sua fórmula ideal.

Uma nova abordagem para gestão de marcas globais

P: Muitas empresas hoje buscam capacitar indivíduos para redefinir a liderança. Na sua visão, quais abordagens ultrapassadas não funcionam mais para marcas globais, especialmente no iGaming?

O modelo de gestão baseado no Top-Down não funciona mais. Nesse sistema, os colaboradores se tornam apenas executores, sem enxergar o quadro completo nem entender a lógica por trás das decisões. O resultado é perda de iniciativa, queda de motivação e incapacidade da equipe de tomar decisões informadas em seu nível.

No iGaming, onde mudanças acontecem a uma velocidade extrema, isso representa um risco crítico. A liderança moderna exige feedback, comunicação aberta e transparência de objetivos. Isso proporciona compreensão não apenas do resultado, mas do processo de pensamento, da lógica da decisão, do tempo e dos recursos. Quando os colaboradores entendem não só o que fazer, mas por quê, eles se sentem parte do processo. Isso permite agir rapidamente e com flexibilidade, assumir responsabilidades e influenciar resultados.

P: Quais são os maiores mitos sobre cargos de liderança executiva que você gostaria de desmistificar? Como sua própria experiência questionou essas suposições?

Um dos maiores mitos sobre executivos de alto nível é que precisam saber tudo melhor do que qualquer outra pessoa. Na prática, um líder forte não é alguém que domina todas as competências sozinho, mas sim quem sabe montar uma equipe de profissionais qualificados, especialistas em suas áreas — muitas vezes mais profundos e precisos que o próprio líder.

O papel do líder não é competir com a equipe em expertise, mas amplificá-la, criando condições para que todos alcancem seu máximo potencial.

P: Você começou como Gerente de Afiliados. Que tipo de cultura organizacional considera mais eficaz para apoiar o crescimento dos colaboradores, especialmente no setor de iGaming?

Eu sei, pela experiência pessoal, o que significa uma cultura corporativa forte. Tive a sorte de trabalhar em uma empresa que realmente atua nesse nível. É um ambiente que permite que todos desenvolvam seu potencial ao máximo.

Uma cultura corporativa autêntica funciona como um sistema vivo — inspira iniciativa, incentiva diálogo honesto, cuida do bem-estar e oferece ferramentas para o crescimento, seja via treinamentos ou mentoria. Nesse ambiente, os colaboradores recebem confiança, assumem mais responsabilidades e alcançam novos patamares na carreira. A empresa reconhece esses passos, valoriza e recompensa o crescimento.

Retendo a Geração Z

P: Para a Geração Z, crescimento muitas vezes significa trocar de empresa. Como a 1w aborda as diferenças geracionais no desenvolvimento de carreira?

Mudanças fazem parte do ambiente natural da Gen Z — adaptabilidade é quase uma superpotência. Por isso, é importante não restringi-los com estruturas rígidas, mas oferecer oportunidades para experimentar coisas novas e se engajar rapidamente em projetos.

O ritmo de trabalho no iGaming é extremamente rápido: tarefas mudam tão rapidamente que não há espaço para tédio. Também é fundamental o ambiente que a empresa cria. Quando há talentos de alto nível, confiança mútua e liberdade para inovar, os colaboradores perdem a vontade de trocar de empresa em busca de crescimento. Eles veem que podem se desenvolver e alcançar novos resultados dentro da própria empresa.

P: Quais são suas maiores expectativas para a próxima geração de líderes no iGaming? Que qualidades ou valores eles devem abraçar para prosperar nesse setor em rápida evolução?

Quero que a próxima geração de líderes do setor de iGaming pare de enxergar suas equipes como meros recursos. A indústria está mudando em uma velocidade impressionante, e o sucesso hoje não depende da rapidez com que você toma decisões sozinho, mas da capacidade da sua equipe de agir com autonomia.

Há três pilares essenciais para mim. O primeiro é a transparência. As pessoas precisam entender não apenas o que fazer, mas por que estão fazendo. Quando os colaboradores compreendem a lógica por trás das decisões, eles não apenas executam — assumem responsabilidade. O segundo é a adaptabilidade. O que funcionou ontem pode não funcionar amanhã. Cabe aos líderes criar um ambiente em que as equipes não tenham medo de testar, inovar e errar. O terceiro é a autenticidade. Se você não admite seus erros ou finge ter todas as respostas, a equipe percebe — e a confiança se perde.

A nova geração cresce em um contexto em que reconhece a falta de autenticidade de longe e não está disposta a trabalhar apenas por obrigação. Eles buscam propósito, desenvolvimento e a certeza de que sua voz é ouvida. Líderes que ignorarem isso perderão seus melhores talentos. E não se trata de benefícios ou bônus, mas de um ambiente em que se sinta em crescimento, e não apenas cumprindo horas de trabalho.

Estilo de liderança e marca pessoal

P: Qual estilo de liderança você prefere usar com sua equipe? Até que ponto o estilo de liderança de uma empresa pode evoluir?

Procuro ser não apenas gestora, mas mentora: ajudando a desenvolver pessoas, oferecendo feedback e apoiando diante de desafios complexos. Liderança se manifesta não só em decisões, mas em exemplos pessoais — como você trabalha, assume responsabilidades e constrói comunicação. Equipes percebem mais pelo exemplo do que por regras.

O estilo de liderança não é fixo. Valores e princípios permanecem, mas a forma de aplicá-los deve evoluir. Equipes crescem, mercados mudam e líderes precisam se adaptar. Há momentos que exigem decisão rápida; outros, apoio, mentoria e engajamento.

P: É aconselhável para profissionais de iGaming desenvolver marca pessoal e imagem pública? Que vantagens estratégicas isso oferece, e onde os benefícios podem se transformar em riscos reputacionais?

Não é apenas aconselhável — é essencial estrategicamente. Sou a face pública da empresa e vejo os efeitos. Uma marca pessoal amplifica a marca corporativa: aumenta credibilidade, confiança de parceiros, abre oportunidades de negócio e fortalece influência no setor.

A presença na mídia tem um lado delicado — pode trazer riscos reputacionais. O equilíbrio é fundamental. Para mim, a fórmula perfeita é presença intencional combinada com acordos transparentes com a empresa.

Este artigo foi publicado originalmente em russo em 22 de outubro de 2025.

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