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Entrevista: Diretor da GMR/PLAYCON fala sobre apostas em eSports e novos talentos

Jillian Dingwall
Escrito por Jillian Dingwall
Traduzido por Thawanny de Carvalho Rodrigues

Aperte start: a história por trás da PLAYCON

Malta realiza anualmente a PLAYCON, sua expo de videogames e esports, que chega agora à quinta edição, consolidando-se como vitrine para talentos locais e plataforma de investimento internacional. A SiGMA conversou com exclusividade com Kersten James Chircop, cofundador e Diretor de Desenvolvimento de Negócios da GMR (empresa por trás da PLAYCON), sobre a trajetória do evento e seu papel crescente no ecossistema de apostas em esports.

“Tecnicalmente, a primeira edição da PLAYCON foi em 2019, mas infelizmente, por causa da COVID, tivemos que pular dois anos”, explicou Chircop. “Este ano seria a sétima edição, mas é a quinta. Ainda assim, sentimos como se fosse nosso primeiro grande marco.”

A GMR atua em eventos de esports há mais de 13 anos, tanto em Malta quanto no exterior, e a PLAYCON surgiu como uma extensão natural desse trabalho. “A ideia da PLAYCON é mostrar do que é feita a indústria local”, disse Chircop. “As oportunidades de carreira sendo criadas, os estúdios de jogos sendo fundados aqui, times de esports e torneios sendo organizados.”

O crescimento do cenário local é evidente. “Até 2019, havia talvez cinco estúdios locais. Agora estamos vendo cerca de 20. Neste ano, cerca de 16 estúdios entre mais de 70 expositores estarão na PLAYCON mostrando seus projetos”, afirmou.

A educação também faz parte da missão: “Queremos que as crianças conheçam a indústria de videogames, aprendam a equilibrar o tempo de tela com o tempo de jogo e vejam que, se tiverem talento, os esports podem se tornar uma carreira profissional.”

O papel crescente das apostas em esports

Com times cada vez mais patrocinados por empresas de apostas, Chircop reconhece a importância crescente desse segmento.

“Quando se fala de esports profissionais hoje, as apostas são uma das maiores fontes de receita, até para os times”, disse. “Recentemente, a Riot passou a permitir patrocinadores de apostas. Se olhar para a Valve, com Counter-Strike e DOTA2, patrocinadores de apostas já são players importantes nos eventos há bastante tempo.”

Para os organizadores, a parceria é prática: “Ter um patrocinador de apostas ajuda e é uma fórmula que funciona. Gera engajamento porque eventos como Counter-Strike explodiram quando o público se envolveu mais. As pessoas passam a acompanhar times para entender melhor. Nesse sentido, é necessário.”

Grande parte dessa receita também é direcionada para competições de base e de nível dois, oferecendo às equipes menores a chance de crescer e ajudando jogadores que, de outra forma, não teriam condições de competir profissionalmente.

Diferenças regionais ainda fazem diferença. “Na Rússia, jogos de azar são normais. Na Ásia, alguns países permitem, outros não. Na Europa, é bastante comum, especialmente se comparar com outros esportes. Veja a Premier League: patrocinadores de apostas estão por toda parte”, comentou.

De Malta para o mundo: construindo um hub de esports

A PLAYCON também se consolidou como um evento B2B. “Ela funciona como uma plataforma de networking para a indústria local e ajuda a promover Malta como destino”, disse Chircop. “Estúdios interessados em se mudar para cá frequentemente mencionam que Malta é de língua inglesa e que os sistemas de educação e saúde são bons. São benefícios que as empresas valorizam.”

Ele acredita que a PLAYCON está pronta para ultrapassar as fronteiras de Malta: “Para Malta, 25 mil pessoas é quase o limite, cerca de cinco por cento da população. O próximo passo é atrair participantes internacionais, começando pela Itália e Reino Unido. Mais visitantes significam mais exposição para os estúdios locais e maiores chances de promover ou vender seus jogos.”

Os esports já estão se enraizando: “A BLAST está começando operações a partir de Malta. Dois times profissionais, um brasileiro, o Furia, e um asiático, Talon, abriram boot camps aqui. A Chiliz, empresa baseada em Malta, recentemente comprou a OG Esports. No lado dos esports, há muitas coisas empolgantes acontecendo.”

Incentivando a próxima geração de competidores

A PLAYCON também se tornou porta de entrada para jogadores mais jovens. “Na quinta e sexta-feira, recebemos cerca de 3 mil estudantes”, explicou Chircop. “Professores nos dão feedback todos os anos e agora muitos já perguntam antecipadamente quando as inscrições abrem. Querem trazer seus alunos porque enxergam o valor. A mudança geracional está acontecendo. Professores mais jovens jogam videogame, então a mentalidade deles é diferente.”

Neste ano, a DAIGON Esports sediará o primeiro Schools Esports World Championships. “Serão 150 estudantes de escolas independentes e privadas competindo em Rocket League e Minecraft”, disse. “Eles passaram por qualificatórias online e agora os finalistas vêm a Malta competir. São crianças de 11 e 13 anos, algumas com bolsas em esports. É muito gratificante de ver.”

O ambiente competitivo faz diferença. “Competir em formato de torneio ainda não é tão comum localmente”, disse. “Mas quando estão no palco, com equipe de produção ao redor e público ao vivo, sentem a pressão. É como um ambiente profissional.”

Ele lembrou da final de Rocket League do ano passado: “O público vibrava, o espaço estava lotado. Rocket League é futebol com carros, então é divertido de assistir. Foi envolvente para a plateia e mostrou que as pessoas estão dispostas a sentar, assistir a um torneio de esports e se engajar.”

Apostas em esports e o próximo capítulo do iGaming

Na visão de Chircop, os esports ainda estão amadurecendo. “A indústria global de videogames teve um grande boom durante a COVID porque as pessoas estavam em casa. Mais espectadores, mais pessoas assistindo jogos. Agora está se estabilizando. Infelizmente, houve alguns cortes de pessoal, mas também vem uma nova onda de investidores mais estáveis e que entendem melhor o setor. Alguns anos atrás houve uma bolha, muito dinheiro circulou e nem tudo deu certo. Lições foram aprendidas.”

O nível de produção aumentou significativamente e as apostas agora fazem parte da conversa. “No fim das contas, as apostas mantêm as pessoas engajadas. Criam expectativa e a receita ajuda a sustentar times e eventos.”

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