Skip to content

Especialista alerta para riscos na expansão do setor de jogos no Sri Lanka

Sudhanshu Ranjan
Escrito por Sudhanshu Ranjan
Traduzido por Thawanny de Carvalho Rodrigues

O Sri Lanka deixou de ser um ator secundário no cenário de jogos da Ásia. Um resort integrado de US$ 1,2 bilhão já foi inaugurado na Colombo Port City, a Gambling Regulatory Authority está em vigor desde dezembro de 2025, e espera-se que a indústria de jogos alcance US$ 410 milhões até 2026, colocando a ilha em uma encruzilhada única em gerações. A questão não era se o setor tinha potencial de crescimento, mas se o Sri Lanka conseguiria expandi-lo de forma estratégica e responsável. Em entrevista ao SiGMA News, o Dr. Dharshana Weerakoon, presidente da Global Cooperation Private Ltd e renomado estrategista em turismo e hospitalidade, analisou opções, riscos e oportunidades únicas à frente.

Regulamentação antes da receita

O setor de jogos no Sri Lanka operou por muitos anos em uma zona cinzenta — nem totalmente legal, nem completamente ilegal — e frequentemente mal compreendido. Havia poucas licenças, a regulamentação se baseava em leis antiquadas, e a maioria dos investidores sérios evitava o mercado por não saber exatamente no que estava entrando. Com a criação da Gambling Regulatory Authority, formalizada pela Lei nº 17 de 2025, isso começou a mudar.

“Essa transição representa uma mudança estrutural, não apenas um ajuste de política de rotina. A introdução de uma autoridade regulatória formal sinaliza movimento em direção à estruturação, previsibilidade e alinhamento internacional”, afirmou Weerakoon.

Colombo já começou a perceber esses sinais com a inauguração do City of Dreams Sri Lanka, pela Melco Resorts e John Keells Holdings, o primeiro resort totalmente integrado do país. Weerakoon destacou que o modelo de resort é essencial para as ambições do Sri Lanka, com o jogo inserido em um ecossistema de hospitalidade, gastronomia, entretenimento e centros de convenções. Mas ele ressaltou que a regulamentação sozinha não garante sucesso.

“Regulação por si só não assegura resultados. A eficácia dessa mudança dependerá da implementação disciplinada, principalmente na manutenção de padrões de licenciamento, evitando saturação excessiva e garantindo consistência política ao longo do tempo.”

Paraíso tem preço

As praias e a beleza natural do Sri Lanka sempre foram ímãs para o turismo, e a ideia de integrar resorts de jogos nesse cenário atraiu investidores estrangeiros. Porém, Weerakoon alertou para o risco de o país se tornar apenas uma jurisdição de licenciamento.

“Se os operadores mirarem principalmente mercados offshore, os benefícios diretos para a economia doméstica, empregos, desenvolvimento da cadeia de suprimentos e receitas do turismo podem ser mínimos.”

Dr. Dharshana Weerakoon, presidente da Global Cooperation (Pvt) Ltd

Além disso, uma supervisão fraca em iGaming, especialmente sobre integridade financeira e jogo responsável, pode corroer discretamente o posicionamento turístico do país muito antes que os números revelem o impacto.

Estrutura antes da pressa

Com a Índia apertando a regulação de jogos online, o Sri Lanka estava bem posicionado para se beneficiar do efeito regional. No entanto, Weerakoon argumentou que o país deveria resistir à tentação de se tornar uma jurisdição de baixa tributação apenas para atrair operadores rapidamente.

“A tributação deve ser competitiva, mas estável, pois a previsibilidade é muitas vezes mais atraente para investidores sérios do que incentivos de curto prazo.” Ele enfatizou que os operadores não poderiam mais existir apenas no papel. Precisariam demonstrar presença econômica genuína, com escritórios no Sri Lanka, equipe local e operações diárias integradas ao setor de hospitalidade do país para serem levados a sério.

Diversificar ou desestabilizar

O modelo de resort integrado atrai operadores com grandes públicos VIP: high-rollers, junkets e premium mass. Mas Weerakoon defende equilíbrio.

“O jogo responsável deve ser tratado como princípio operacional central, e não apenas uma obrigação regulatória. Em mercados como o Sri Lanka, onde a indústria ainda está em evolução, o sucesso a longo prazo dependerá significativamente da confiança pública e da integridade da marca.”

Os números já contavam uma história: entre 60% e 70% dos usuários de cassino do Sri Lanka jogam online, enquanto apenas 30% a 40% frequentam casinos físicos. Qualquer estratégia de receita que ignorasse essa mudança estrutural estaria mirando no público errado. Uma combinação diversificada de receitas, incluindo o mercado de massa e VIP, oferece resiliência contra choques.

Risco público, ganho privado

O governo do Sri Lanka tem estudado zonas econômicas especiais e infraestrutura turística de grande escala para atrair capital estrangeiro, com parcerias público-privadas como mecanismo natural. Mas Weerakoon alertou para os riscos quando cassinos, hotéis e financiamento de infraestrutura são agrupados.

O maior risco é o aumento da exposição soberana: “O uso excessivo de garantias do Estado pode transferir o risco comercial para o setor público. Estruturas robustas de governança, estudos de viabilidade realistas e mecanismos claros de compartilhamento de risco são essenciais para mitigar esses desafios.”

Qualidade acima de crescimento rápido

Os vizinhos regionais oferecem lições valiosas: o duopólio de Singapura, a abordagem cautelosa da Malásia na tributação de jogos e a experiência mista das Filipinas com a expansão rápida de POGOs. Para o Sri Lanka, Weerakoon recomenda disciplina regulatória e entrada controlada no mercado.

“Limitar o número de licenças mantendo altos padrões ajuda a preservar valor a longo prazo, garante melhor supervisão e constrói confiança nos investidores.” Ele acrescentou que consistência na política e na aplicação frequentemente distingue mercados que atraem investidores sérios e de longo prazo daqueles que atraem oportunistas.

Mais do que um mercado de jogos

O momento do Sri Lanka é moldado por três forças: uma economia pós-crise buscando novos motores de desenvolvimento, um setor turístico mirando US$ 5 bilhões em receita e 3 milhões de visitantes, e investidores globais em busca de destinos asiáticos regulados e de alto valor.

Weerakoon enfatizou: “O arcabouço regulatório está sendo estabelecido com base nas melhores práticas globais. Com uma abordagem estratégica e medida, o país tem potencial para construir um ecossistema de jogos bem regulado, integrado ao turismo e com credibilidade internacional.”

A nova fronteira surge sob o horizonte de São Paulo. De 6 a 9 de abril de 2026, o BiS SiGMA América do Sul transforma a capital latino-americana do gaming em um centro de inovação, debates audaciosos e oportunidades bilionárias. Não fique de fora.

This site is registered on wpml.org as a development site. Switch to a production site key to remove this banner.