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Fraudes impulsionadas por IA estão se tornando mais organizadas, alertam especialistas

Jenny Ortiz-Bolivar
Escrito por Jenny Ortiz-Bolivar
Traduzido por Thawanny de Carvalho Rodrigues

Diversos setores, incluindo jogos online, serviços bancários, saúde e mercado financeiro, enfrentam um desafio cada vez maior com o avanço das fraudes impulsionadas por inteligência artificial. À medida que os deepfakes e as identidades sintéticas se tornam mais sofisticados, especialistas reunidos durante a Philippine Blockchain Week alertaram que a luta contra a desinformação já não é apenas uma questão de cibersegurança, mas uma crise mais ampla de confiança pública, com potenciais impactos significativos para setores regulados, como o iGaming, onde a verificação de identidade e a proteção dos jogadores são fundamentais.

O painel, intitulado “Truth Under Siege: Deepfakes, Disinformation and the Security of Public Trust” (“A Verdade Sob Cerco: Deepfakes, Desinformação e a Segurança da Confiança Pública”), reuniu líderes da indústria que defenderam uma atuação coordenada entre governos, empresas e consumidores para combater os riscos crescentes da manipulação digital.

Mack Comandante, fundador do Exoasia Innovation Hub, afirmou que os formuladores de políticas públicas devem concentrar seus esforços no comportamento dos agentes, e não no conteúdo em si. “Queremos regular condutas, não a verdade, e construir a confiança como uma infraestrutura.”

Responsabilidade compartilhada, sem ponto único de falha

James Cruz, fundador da Asia ISAC, destacou que nenhuma organização ou indivíduo conseguirá enfrentar essa ameaça sozinho. “Acredito que precisamos abordar isso de forma holística, com uma estratégia que envolva toda a sociedade”, afirmou Cruz. “Organizações e indivíduos precisam desenvolver uma compreensão mais sólida sobre cibersegurança.”

Ele também incentivou os usuários a adotarem a mentalidade de “confiar, mas verificar”. “Se você receber um SMS ou um e-mail e não tiver certeza sobre sua autenticidade, simplesmente ignore. Se a mensagem for realmente importante e legítima, entrarão em contato novamente.”

Moises Ycot, country manager da Sumsub nas Filipinas, compartilhou da mesma visão e ressaltou que todos os envolvidos têm um papel a desempenhar. 

“O público precisa fazer sua parte. Pare de clicar em links suspeitos, pare de compartilhar códigos OTP”, afirmou Ao mesmo tempo, destacou que bancos e instituições financeiras também precisam assumir responsabilidades. “Essas instituições devem implementar sistemas adequados para monitorar continuamente, verificar constantemente e avaliar riscos de forma permanente.”

Ycot também citou o papel dos reguladores. “O Banco Central das Filipinas (BSP), por exemplo, implementou regulamentações para combater fraudes financeiras. Esse é exatamente o papel que os órgãos reguladores precisam desempenhar.”

Da esquerda para a direita: o moderador Mack Comandante, fundador do Exoasia Innovation Hub, ao lado dos painelistas James Cruz, fundador da Asia ISAC; Irene Camacho, CISO da Healthway Medical Network; Moises Ycot, country manager da Sumsub nas Filipinas; e Steve Ivsan, CEO da Scytalex LLC, durante o painel “Truth Under Siege: Deepfakes, Disinformation and the Security of Public Trust”, realizado na Philippine Blockchain Week.

Redes criminosas organizadas elevam o risco

Embora os deepfakes dominem o debate público, os especialistas alertaram que grupos criminosos estão combinando cada vez mais conteúdos sintéticos com fraudes de identidade, invasões de contas e manipulação comportamental.

“Sem dúvida, os deepfakes e a tomada de controle de contas estão no topo da lista”, afirmou Ycot.

Segundo ele, o cenário vem mudando rapidamente. “Antes, eram principalmente indivíduos criando seus próprios deepfakes e documentos falsos. Agora, o que estamos observando são tentativas de fraude muito mais organizadas.”

De acordo com Ycot, grupos criminosos estão recorrendo a agentes de IA automatizados e técnicas cada vez mais sofisticadas. “Eles estão desenvolvendo métodos mais avançados, como agentes de IA automatizados. Também estão tentando falsificar dispositivos, mascarar anomalias comportamentais e utilizar outras estratégias semelhantes.”

O alerta acompanha preocupações crescentes em toda a indústria de jogos. Especialistas em cibersegurança têm relatado com frequência o uso de identidades falsas, carteiras digitais clonadas, ataques de phishing e esquemas de engenharia social apoiados por deepfakes contra operadores e jogadores em diversos mercados de apostas online na Ásia.

As recentes ações das autoridades filipinas refletem essa preocupação. No início deste ano, a Comissão Presidencial Contra o Crime Organizado (PAOCC) e o Centro de Investigação e Coordenação de Crimes Cibernéticos (CICC) firmaram um acordo de cooperação voltado ao combate de redes transnacionais de crimes digitais, incluindo operações ilegais de jogos online e antigas redes de jogos offshore. A iniciativa tem como foco perícia digital, fortalecimento de investigações e ações coordenadas contra organizações criminosas estruturadas.

Regulamentação e autorregulação precisam caminhar juntas

Steve Ivsan, CEO da Scytalex LLC, afirmou que as empresas devem assumir a responsabilidade pela proteção de seus clientes e pela redução de vulnerabilidades. “Preciso ter absoluta certeza de que os recursos dos meus clientes estão protegidos e de que fiz tudo o que era humanamente possível para eliminar qualquer vetor de ataque.”

Ao mesmo tempo, ele ressaltou que os governos também têm um papel essencial nesse processo. “Acredito que precisamos de uma cooperação forte.”

James Cruz reforçou a importância da ação conjunta entre diferentes setores. “Se você deseja aumentar suas chances de sucesso, precisa adotar uma estratégia colaborativa em vez de tentar enfrentar o problema sozinho.”

Combatendo a IA com a própria IA

Questionado sobre a viabilidade de utilizar inteligência artificial para identificar fraudes geradas por IA, Ycot afirmou que as organizações não têm alternativa além de se adaptar. “A tecnologia continuará evoluindo nos próximos meses, nos próximos anos e nas próximas décadas.”

Para ele, entretanto, o objetivo de longo prazo não deve se limitar ao desenvolvimento de ferramentas de detecção mais eficientes. “O modelo sustentável é construir sistemas de confiança capazes de aproveitar essas tecnologias de IA, juntamente com outros mecanismos de segurança.”

Ao encerrar o debate, Cruz reforçou a mensagem central do painel: “Proteger a confiança pública é uma responsabilidade de todos.”

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