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JP Morgan prevê crescimento sólido da IA apesar de temores de bolha

Jenny Ortiz-Bolivar
Escrito por Jenny Ortiz-Bolivar
Traduzido por Thawanny de Carvalho Rodrigues

A inteligência artificial continua exercendo um papel central na transformação tanto do mercado acionário dos Estados Unidos quanto da economia em geral, segundo uma nova análise do J.P. Morgan Private Bank, instituição financeira multinacional sediada em Nova York. O relatório aponta que a IA é hoje o principal motor do mercado de ações norte-americano e, cada vez mais, da própria economia dos EUA.

A instituição destacou que as ações de tecnologia já representam cerca de metade do índice S&P 500 e respondem por 60% do desempenho total do mercado norte-americano em 2025. O estudo acrescenta que “o crescimento econômico real dos EUA no primeiro semestre de 2025 seria metade do ritmo atual se fossem excluídos os investimentos em software e equipamentos de TI.”

O rápido aumento nos gastos com IA tem sido comparado a outros períodos de boom tecnológico, mas os analistas do J.P. Morgan observam que as condições atuais diferem em vários aspectos. O relatório cita a visão do CEO da Meta sobre a “dupla face da corrida pela IA: de um lado, as empresas podem desperdiçar centenas de bilhões de dólares; de outro, podem alcançar um nível de ‘superinteligência’.” 

Monitorando sinais de excesso de investimento

Apesar do otimismo generalizado, o J.P. Morgan identificou pontos de atenção para possíveis excessos. Segundo o relatório, a adoção de IA nos EUA cresceu 60% no último ano, mas apenas 9,1% das empresas afirmam usar ativamente a tecnologia na produção de bens ou serviços — o que indica amplo espaço para crescimento.

Do lado da infraestrutura, o documento observa que “a quantidade de poder computacional necessária para treinar modelos de IA de ponta continua crescendo em ritmo exponencial, enquanto o desempenho dos principais modelos dos EUA e da China segue em avanço.” Ainda assim, inovações que reduzam o consumo energético “podem impulsionar a adoção generalizada e ganhos de produtividade no longo prazo, mas também gerar volatilidade, já que a expansão da infraestrutura é essencial para as atuais líderes do mercado.”

Solidez financeira das empresas de IA

A análise aponta que as empresas responsáveis pela expansão da infraestrutura de IA mantêm uma posição financeira sólida. “Os investimentos seguem sustentáveis enquanto houver capital suficiente e nenhum indício de excesso. Com exceção da Oracle, as companhias que constroem a base de dados necessária para escalar a IA — os chamados hyperscalers — têm menos dívida em seus balanços do que geram em lucro, e três das cinco possuem caixa excedente”, afirma o relatório.

O banco também ressalta que o volume total de investimentos em capital fixo ainda é baixo em comparação com ciclos de superinvestimento do passado, como o das telecomunicações antes do colapso da bolha da internet e o do setor de energia durante o auge do fracking.

Diferentemente de bolhas anteriores, o J.P. Morgan observa que, à medida que os lucros se concretizam, o valor relativo das grandes empresas de IA caiu em comparação ao mercado e a ciclos especulativos anteriores. “Mesmo os retornos recentes de IPOs — que historicamente coincidem com o pico de euforia — ainda não mostraram crescimento expressivo”, pontuou a instituição.

“Acreditamos que o tema da IA e sua expansão permanecem sólidos. Sabemos que, historicamente, o mercado tende a se antecipar às inovações tecnológicas, e isso pode voltar a ocorrer. Mas não acreditamos que este seja o caso agora”, conclui o relatório.

Yuxuan Tang, estrategista global de mercado do J.P. Morgan Private Bank, reforçou a visão equilibrada: “A inteligência artificial segue sendo uma força poderosa, com impacto profundo sobre os mercados e a economia em geral. Apesar das dúvidas sobre uma possível bolha tecnológica, nosso monitoramento de IA mostra mais entusiasmo do que excesso. Enxergamos um caminho promissor para a inovação impulsionada pela IA e recomendamos uma abordagem equilibrada entre os mercados público e privado para capturar essas oportunidades”, afirmou Tang.

Crescimento da IA chega ao setor de iGaming

Fora do universo tradicional da tecnologia, setores como o iGaming também surfam a onda da inteligência artificial. Em junho, líderes do segmento — como Martins Lielbardis, do iGaming Centre — destacaram à SiGMA World como a IA vem transformando a produção de conteúdo, o engajamento dos jogadores e a análise de dados. No entanto, Lielbardis alertou que a interação humana continua essencial para garantir uma experiência de jogo autêntica.

Essa visão está alinhada à mensagem central do J.P. Morgan: embora a IA esteja redefinindo mercados e produtividade, a transição ainda está em fase inicial — um processo que exige tanto disciplina nos investimentos quanto respeito ao papel humano em meio ao avanço tecnológico.

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