O avanço do mercado regulado de apostas no Brasil tem exigido uma nova forma de pensar marca, comunicação e relacionamento com o público. Em entrevista exclusiva, a executiva Loreta Caporrino, Head de Brand na BetMGM, falou sobre os desafios de construir identidade em um setor ainda em consolidação, a importância da relevância cultural e o impacto da regulamentação nas estratégias de marketing e operação.
Marca e confiança caminham juntas em mercados novos
Atuar em uma indústria que acabou de entrar em um ambiente regulado exige mais do que campanhas criativas ou forte presença publicitária. Segundo Loreta, a prioridade em momentos como esse é estabelecer confiança e consistência de posicionamento.
Ao longo de sua trajetória em empresas globais e mercados em diferentes estágios de maturidade, ela afirma ter aprendido que o nascimento de um setor demanda uma construção paralela entre reputação e awareness. “Quando um mercado está se estruturando, a marca precisa transmitir segurança e credibilidade desde o início”, explica.
Esse cenário é principalmente relevante no Brasil, onde a regulamentação trouxe novas regras, maior fiscalização e também expectativas mais altas por parte dos consumidores. Nesse contexto, a comunicação precisa ir além da promoção direta de produtos e trabalhar narrativas que conectem entretenimento, responsabilidade e experiência.
Outro ponto destacado é a necessidade de coerência. Produto, campanhas, patrocínios e ativações devem contar a mesma história para que o público perceba valor real na proposta apresentada.
Relevância cultural como diferencial competitivo
Em um ambiente cada vez mais competitivo, entender o contexto cultural se torna um fator decisivo para as marcas. No Brasil, o entretenimento está fortemente ligado a experiências coletivas, como festivais, shows, esportes e grandes eventos. Por isso, estratégias que priorizam interação e vivência tendem a gerar maior impacto emocional. A participação em eventos culturais e esportivos, por exemplo, tem sido usada como forma de aproximar marcas do público de maneira mais natural e menos invasiva.
Segundo Loreta, iniciativas desse tipo já impactaram diretamente milhões de pessoas, justamente por transformar a presença de marca em parte da experiência do consumidor. A lógica é simples: quando o público cria memórias positivas em um evento, a associação com a marca acontece de forma espontânea.
Essa abordagem acompanha uma tendência global do marketing de entretenimento, na qual o patrocínio tradicional dá lugar a ativações imersivas e conteúdos que estimulam compartilhamento social.
Parcerias locais e comunicação integrada
Outro ponto abordado na entrevista é a importância de alianças estratégicas com grupos que possuem conhecimento profundo do mercado brasileiro. Esse tipo de parceria permite desenvolver campanhas mais alinhadas com o comportamento do consumidor e ampliar a presença em diferentes canais.
“A BetMGM Brasil é uma joint venture entre a MGM Resorts International e o Grupo Globo. Essa combinação reúne dois ativos importantes: a experiência global da MGM no universo do entretenimento e um profundo conhecimento do público brasileiro por parte do Grupo Globo”, afirmou a executiva.
Mesmo sem divulgar métricas específicas, Loreta destaca que a construção de um ecossistema integrado de comunicação, que combina mídia, conteúdo, experiências presenciais e plataformas digitais, tem um papel relevante no fortalecimento das marcas no setor. A ideia é acompanhar o consumidor em toda a jornada, desde o primeiro contato até o relacionamento de longo prazo, evitando a dependência de um único canal de aquisição.
Regulamentação muda o jogo para marketing e operação
A entrada em vigor do mercado regulado trouxe previsibilidade para a indústria e elevou o nível de exigência em áreas como compliance, governança e proteção ao consumidor. Para Loreta, definir regras claras permitem construir operações mais bem estruturadas e sustentáveis.
Isso inclui processos rigorosos de aprovação de campanhas, segmentação adequada de público e mensagens alinhadas às práticas de jogo responsável. Além disso, a tecnologia e a análise de dados ganham protagonismo tanto na prevenção de fraudes quanto na identificação de comportamentos de risco.
Ao mesmo tempo, o posicionamento ligado ao entretenimento continua sendo um elemento importante para a comunicação. O desafio está em equilibrar diversão e responsabilidade em um ambiente que ainda passa por ajustes e amadurecimento.
Brasil deve manter protagonismo regional
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Na visão de Loreta, o país tende a continuar relevante nos próximos anos, especialmente com a chegada de novos investimentos em tecnologia, experiência do usuário e marketing. Ainda assim, ela ressalta que o crescimento da indústria na região não deve ser encarado apenas como uma competição entre países. O avanço de processos regulatórios em outros mercados latino-americanos pode contribuir para a maturação do setor como um todo, criando um ambiente mais estruturado e atrativo para diferentes players.
“O crescimento da indústria na América Latina não precisa ser visto como uma competição direta entre países, mas como um processo de maturação regional. No caso do Brasil, que já é considerado o 5º maior mercado do mundo, acreditamos que o país continuará com grande relevância na região, e um dos principais pólos de desenvolvimento da indústria nos próximos anos”, comentou.
Mais do que disputar participação de mercado, as marcas precisam mostrar consistência, responsabilidade e capacidade de gerar experiências relevantes. Nesse mercado, quem conseguir equilibrar posicionamento global com entendimento local terá mais chances de consolidar presença em um mercado que ainda está definindo suas próprias regras de relacionamento com o consumidor.
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