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Reformulando a detecção de fraudes: como a IA reduziu falsos positivos em 60% no setor de jogos do Sudeste Asiático

Rami Gabriel
Escrito por Rami Gabriel
Traduzido por Thawanny de Carvalho Rodrigues

Suzanne Lee, sócia-diretora, CTO e cofundadora da Analytiks Inc., foi destaque na edição nº 34 da Revista SiGMA, distribuída durante a SiGMA Euro-Med, realizado em Malta no último mês de setembro. A matéria traz as reflexões de Lee após a vitória da empresa na SiGMA AIBC Pitch Ásia 2025, competição realizada em junho, onde ela apresentou uma plataforma que alcançou redução de 60% nos falsos positivos de fraude por IA. Lee fez a apresentação vencedora no SMX Manila. A reportagem discute as implicações técnicas e comerciais dessa inovação para os operadores do setor de iGaming no Sudeste Asiático — um mercado que movimenta mais de US$ 6 bilhões por ano e onde as taxas de fraude permanecem em torno de 3,28%.

Repensando a economia da detecção de fraudes

Lee explicou o impacto financeiro com clareza: “Se os falsos positivos hoje custam cerca de US$ 5 milhões por ano, reduzir isso em 60% representa uma economia de US$ 3 milhões”, afirmou. A plataforma processa dados de transações em tempo real, informações de KYC e sinais comportamentais, acompanhando o crescimento da economia digital do Sudeste Asiático, que deve atingir US$ 330 bilhões até 2026. No entanto, segundo Lee, o impacto vai muito além dos números: “O maior problema é o jogador que não consegue fazer um depósito porque foi identificado incorretamente como fraudador. Esse é um prejuízo real.”

Para ela, a detecção de fraudes deve ser encarada como algo mais estratégico do que apenas uma questão de controle de custos. “Fraude não é apenas um centro de despesas — é uma questão existencial. Tornamos tudo explicável porque os insights precisam ser aplicáveis. As pessoas precisam enxergar além da ‘caixa-preta’ da IA”, destacou.

Inovação na detecção de fraudes

A trajetória profissional de Lee orienta a arquitetura neutra em relação a fornecedores da empresa: “Não se pode esperar que as organizações descartem sistemas que funcionam. Então, construímos pontes”, disse Lee.

A Analytiks desenvolveu conectores modulares e APIs que se integram a sistemas legados, incluindo softwares locais, bancos de dados e mecanismos de transações. A abordagem enfrenta um desafio comum: adotar IA sem precisar substituir toda a infraestrutura.

O design também atende às exigências regulatórias. A Lei de IA da Tailândia exige transparência nas tomadas de decisão. A plataforma de Lee inclui controles baseados em níveis de risco. “Recursos de baixo risco informam o uso de IA, enquanto decisões de alto risco exigem revisão humana, trilhas de auditoria e relatórios de incidentes”, explicou. “Nossos conectores modulares permitem que os clientes usem IA generativa para decisões em tempo real, alertas personalizados ou detecção de anomalias — tudo isso mantendo os controles de conformidade intactos”, acrescentou. Essa flexibilidade é essencial diante dos diferentes marcos de privacidade de dados da ASEAN.

Uma nova forma de avaliar riscos

As discussões tradicionais sobre detecção de fraudes costumam se concentrar na precisão. Lee questiona essa visão limitada: “Qualquer um pode dizer que detecta 95% das fraudes. Mas e o cliente que não consegue fazer um depósito por ter sido sinalizado incorretamente? Essa frustração tem um custo”, observou. Esse raciocínio levou a Analytiks a aplicar o conceito de Value at Risk (VaR) — comum nas finanças, mas raro em sistemas de detecção de fraude. “Estimamos as possíveis perdas decorrentes de fraudes não detectadas”, explicou Lee. “Isso ajuda nossos clientes a focar nos maiores riscos, não apenas nos mais frequentes.”

Nas Filipinas, onde o volume de transações é elevado, esse método permite distinguir ameaças menores das realmente críticas. A empresa opera com custos 40% a 60% inferiores aos de concorrentes ocidentais, combinando conhecimento regional e capacidade técnica. “Compreender o mercado local agrega um valor real”, ressaltou Lee. 

Citando Peter Drucker, Lee resume a filosofia da empresa: “A melhor forma de prever o futuro é criá-lo”, disse. “Na Analytiks, não estamos apenas analisando dados ou prevendo resultados — estamos construindo ferramentas que ajudam nossos clientes a criar um futuro mais seguro e eficiente.” Ela conclui reforçando o propósito da plataforma: “A IA não precisa ser uma caixa-preta. Ela pode ser uma parceira transparente e auditável na gestão de riscos e no crescimento dos negócios.” Para a Analytiks, essa abordagem pode definir novos padrões de detecção de fraudes em todo o Sudeste Asiático.

Com o destaque conquistado na SiGMA AIBC Pitch Ásia 2025, em junho, a atenção do setor de iGaming agora se volta para a SiGMA Europa Central, que será realizado de 3 a 6 de novembro na Fiera Roma, em Roma. O evento reunirá mais de 30 mil participantes, 1.000 patrocinadores e expositores, e 550 palestrantes especializados, dando continuidade às discussões sobre conformidade, inovação e transformação de mercado.

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