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Riscos das apostas esportivas em 2026: análise de Sergii Mykhailenko

Kateryna Skrypnyk
Escrito por Kateryna Skrypnyk
Traduzido por Thawanny de Carvalho Rodrigues

Um ponto de virada se aproxima para as apostas em 2026: os custos de aquisição de clientes dispararam e o modelo tradicional de marketing agressivo e gerenciamento de risco manual já não é suficiente. Com despesas cada vez maiores, a eficiência da plataforma deixou de ser apenas um “diferencial” e se tornou um requisito essencial.

Sergii Mykhailenko, Diretor de Produtos (CPO) da OddsMarket, empresa que desenvolve há quase uma década ferramentas de risco e trading usadas por grandes nomes do setor, conversou com a SiGMA News sobre as mudanças do mercado em 2026: do crescimento de sindicatos de apostas profissionais ao futuro dos operadores de todos os tamanhos — quem vai sobreviver, consolidar ou sair do mercado.

Por que a tecnologia de gerenciamento de risco está cada vez mais sofisticada

Quais mudanças você percebeu na gestão de risco nos últimos anos?

“A competição entre casas de apostas é feroz. Com os custos de tráfego aumentando, as empresas de apostas  não investem apenas em marketing; elas buscam tornar suas plataformas mais eficientes, extraindo mais receita dos jogadores que já possuem. Hoje, poucos operadores rodam suas próprias soluções internamente. A maioria migra para plataformas de terceiros, mas esse espaço está cada vez mais competitivo. Em todas as conferências de iGaming, vejo dois ou três novos fornecedores surgindo a cada ano.”

“Uma plataforma é extremamente complexa, e um sistema sólido de gerenciamento de risco é determinante para seu desempenho. Na OddsMarket, analisamos dados dos nossos clientes, e os resultados mostram disparidades significativas: duas plataformas no mesmo mercado podem apresentar margens de trading e GGR com diferença de 20–30%. E nem sempre isso está ligado à qualidade do tráfego.”

A tecnologia de gerenciamento de risco também evoluiu bastante. “As principais plataformas já usam machine learning para monitorar o comportamento dos jogadores há algum tempo; isso é bem estabelecido. Mas agora, com modelos de linguagem avançados amplamente disponíveis, praticamente qualquer fornecedor pode criar algoritmos próprios usando big data.”

Além disso, empresas especializadas estão surgindo, oferecendo soluções independentes para análise de comportamento dos jogadores. Esses sistemas podem ser executados em servidores seguros do cliente ou receber dados de apostas por meio de endpoints restritos, geralmente sob NDAs e com acesso limitado a dados.

“Estamos desenvolvendo um produto semelhante na OddsMarket, com lançamento previsto ainda para este ano”, completa Sergii.

Enquanto as margens das sportsbooks caem gradualmente, as empresas investem cada vez mais em feeds de dados rápidos para analisar mercados mais amplos. A demanda por nossos produtos de API cresce à medida que operadores buscam formas mais eficientes de monitorar odds e movimentos de mercado em tempo real.

Como seria o perfil de um apostador experiente em 2026? Eles se tornaram mais habilidosos com tecnologia?

“Com certeza. Mas também ficaram mais eficientes. De certa forma, fazem o que as plataformas fazem, só que do outro lado do mercado. Nos últimos quatro anos, observamos uma tendência clara: o número de sharp bettors individuais diminuiu, enquanto os sindicatos de apostas estão em alta. Cada vez mais pessoas se unem, geralmente em torno de um software que, por uma assinatura mensal modesta, fornece sinais de onde apostar. Na América Latina, por exemplo, esse ‘software’ muitas vezes é apenas um grupo ou bot no Telegram enviando dicas de arbitragem ou apostas de valor.”

Outra tendência é a ascensão das chamadas “academias de apostas”. Por algumas centenas de euros, as pessoas aprendem a vencer os bookmakers usando ferramentas por assinatura. Os donos dessas academias geralmente atuam como afiliados: treinam usuários em plataformas ou ferramentas específicas e recebem comissões contínuas sobre as assinaturas dos clientes. Muitos acabam desenvolvendo seu próprio software de sharp betting.

Em países como Itália, Reino Unido, Grécia, Albânia e Bulgária, os sindicatos de apostas tornaram-se uma força séria. Operam como empresas reais: escritórios, scouts assistindo aos jogos, desenvolvedores internos e orçamentos significativos para acessar feeds de dados ultrarrápidos e analisar odds em tempo real. E, claro, sempre têm acesso confiável e contínuo a novas contas de apostas.

Mercados de previsão como canal adicional

Os mercados de previsão realmente influenciam os sharp bettors e o mercado de apostas?

“Plataformas como Polymarket ou Kalshi buscam atingir o maior público possível para apostar praticamente em qualquer coisa. O modelo é simples: perguntas de sim/não. No esporte, isso equivale a apostas tipo moneyline – aconteceu ou não aconteceu? A maior parte das apostas se concentra naturalmente em grandes eventos e principais ligas.

Essas plataformas têm alta liquidez e volume de apostas, o que geralmente leva a preços precisos. Os dados são públicos e muitas vezes acessíveis via API. Mas, na prática, os sharp bettors não lucram com apostas em games populares; seus ganhos vêm de eventos ou mercados de nicho, onde calcular odds corretas é muito mais difícil. Nesse contexto, os mercados de previsão funcionam mais como um canal adicional temporário para apostadores e sindicatos, permitindo extrair lucros extras, e não como uma mudança radical na forma de vencer as casas de apostas.”

Como as plataformas podem proteger melhor os operadores

Nas apostas ao vivo atualmente, cada milésimo de segundo conta. Onde os maiores operadores ainda estão perdendo mais dinheiro?

Aqui vai uma verdade dura para qualquer plataforma de sportsbook nova: sindicatos e comunidades de apostadores experientes estão sempre de olho em operadores que usam softwares “crus”. Para os inovadores tentando construir sua própria plataforma do zero em 2026, a realidade é clara: se você não priorizar um sistema de gerenciamento de risco altamente eficiente e implementá-lo como uma solução completa para seus operadores, seus primeiros operadores inexperientes sofrerão grandes perdas muito rapidamente. E, claro, culparão a plataforma por todas as falhas.

Dados rápidos de um mercado amplo são críticos para o negócio de apostas hoje. Apostadores experientes não perdoam nem alguns segundos de atraso.

A inteligência artificial está sendo cada vez mais usada no trading, mas isso pode também trazer novos riscos? Se vários operadores dependem de modelos e dados similares, um único erro em um feed poderia causar um colapso sincronizado das margens em todo o mercado?

Primeiro, é importante esclarecer que a adoção generalizada de IA não significa automaticamente maior compartilhamento de dados entre plataformas de apostas. A infraestrutura ainda não é potente o suficiente para que a IA analise de forma independente sites que atualizam dados em tempo real via web-sockets. Se estivermos falando de um provedor de feed de trading usando IA para ajustar odds enquanto analisa mais parâmetros do que antes, eu não vejo grandes riscos. Na verdade, odds mais precisas geralmente levam a margens maiores, independentemente da região em que o operador atua.

Sou mais cético quanto aos chatbots interativos que ficaram populares recentemente, aqueles que “ajudam” os jogadores a apostar fornecendo análises de partidas em tempo real ou até dicas diretas de apostas. Pela natureza do negócio, não interessa ao operador ajudar os jogadores a ganhar, então esses bots criam principalmente a ilusão de assistência. Na prática, eles acabam irritando o jogador, o que é inevitável assim que uma aposta recomendada pelo bot perde.

Embora testes A/B frequentemente mostrem aumento no GGR das plataformas com esses bots, isso se deve principalmente ao maior volume de apostas, e não a qualquer melhoria fundamental. A grande questão é se essa abordagem pode reduzir significativamente o valor vitalício do jogador.

Muitos focam apenas em dados em tempo real, mas como a análise histórica das odds, até o segundo, ajuda a identificar falhas sistêmicas?

Eu começaria dividindo em duas áreas: análise retrospectiva de trading e análise retrospectiva de apostas dos jogadores.

No trading, o foco geralmente está em:

  • Duração média das linhas abertas para um esporte ou campeonato (linha aberta = risco potencial de apostas “ruins”; linha fechada = receita perdida).
  • Margem em que um evento foi negociado em determinado momento e como os concorrentes se comportaram.
  • Frequência de exploração de odds para arbitragem contra linhas concorrentes e quem estava “certo” com mais frequência.

Esse tipo de análise não é particularmente complicado, mas é extremamente revelador. Permite que o departamento de trading corrija erros passados de forma estruturada. Na OddsMarket, realizamos esses tipos de análises de backtesting para nossos clientes. Para isso, você precisa de dados rápidos das plataformas de apostas relevantes, armazenados em um banco de dados arquivado com granularidade de pelo menos uma vez por segundo.

A análise retrospectiva das apostas dos jogadores é mais complexa. Mesmo hoje, a maioria dos operadores depende de limites manuais, essencialmente bloqueando jogadores quando excedem um determinado lucro permitido. Simplificando: quem ganha mais de US$ 1.000 é limitado. Mas você realmente pode se dar ao luxo de fazer isso em 2026, quando o tráfego e o onboarding de jogadores são caros e desafiadores? Existem agora muitas ferramentas para análises muito mais profundas dos jogadores. Na OddsMarket, nos especializamos em identificar arbitrageurs, value bettors e late-betting players, oferecendo aos operadores uma abordagem muito mais precisa do que limites manuais rudimentares.

Previsão de Sergii para o setor de apostas

Olhando para frente, quais tendências você acha que vão definir sportsbooks, apostadores e o setor de apostas nos próximos anos?

The next four to five years will see further consolidation across the market, both among bookmakers and punters. Only the largest operators will survive. Bigger players will likely absorb mid-sized ones, while smaller operators will either grow into mid-sized players or Nos próximos quatro a cinco anos, veremos mais consolidação no mercado, tanto entre operadores quanto entre apostadores. Apenas os maiores sobrevivem. Jogadores maiores provavelmente absorverão os médios, enquanto os menores crescerão para médios ou desaparecerão completamente. Entre os apostadores, pessoas em busca de lucro fácil estão cada vez mais entregando suas contas para sindicatos, permitindo que esses grupos ganhem dinheiro em seu nome.

A regulamentação é outro fator interessante. Nos últimos anos, mais países em desenvolvimento introduziram frameworks de licenciamento na América Latina, África e partes da Ásia. Ainda não está claro como operadores brancos e cinza coexistirão nesses mercados. Por enquanto, a tendência parece favorecer o crescimento do mercado cinza, mesmo enquanto poucos países permanecem sem um processo formal de licenciamento de jogos.

Dados rápidos terão um papel cada vez mais importante em apostas experientes e proteção de jogadores. As plataformas estão lentamente ganhando vantagem: a rentabilidade das apostas experientes está caindo rapidamente devido à redução sistemática do valor vitalício do jogador.
Também estamos vendo o surgimento dos chamados “crypto sportsbooks”, que podem ser agrupados com mercados de previsão. Essencialmente, são sportsbooks do mercado cinza. O crescimento não é acidental: jogadores migram para essas plataformas, claramente motivados pela super-regulamentação e pelo aumento da competitividade dos operadores licenciados.

Por fim, espero uma certa flexibilização no mercado tradicional de apostas. Operadores podem começar a remover recursos que frustram jogadores. Um bom exemplo são os funis de KYC: registrar-se em um sportsbook licenciado frequentemente exige preencher inúmeros formulários, enquanto um crypto sportsbook pede apenas informações básicas. Isso dá vantagem clara na conversão e permite que as plataformas invistam em tráfego mais caro.

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