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Sem roteiro: mulheres constroem o futuro do iGaming do zero

Sudhanshu Ranjan
Escrito por Sudhanshu Ranjan
Traduzido por Thawanny de Carvalho Rodrigues

Em 2026, estima-se que o mercado global de iGaming esteja avaliado entre US$ 100 bilhões e US$ 130 bilhões, mantendo uma trajetória consistente de crescimento. Por trás desses números impressionantes, porém, existe uma história mais complexa: empreendedoras construindo verdadeiros impérios sem um manual pronto, mulheres lidando silenciosamente com preconceitos e salas de diretoria que ainda continuam amplamente dominadas por homens.

Neste Dia Internacional da Mulher, a SiGMA News entrevistou quatro mulheres de destaque que estão impulsionando mudanças no iGaming — desde os esports até o desenvolvimento de jogos com inteligência artificial, passando por vendas B2B em três continentes e iniciativas de prevenção aos danos relacionados ao jogo. Seus relatos são sinceros. Suas trajetórias são extraordinárias. E a mensagem é clara: a indústria está mudando — e as mulheres estão liderando essa transformação.

Conhecimento como credibilidade

Priya Ahlawat (retratada na imagem principal à direita), fundadora da Jumping Play Studio e diretora-gerente da Epic88 India, construiu duas empresas no setor de desenvolvimento de iGaming. Ela fez isso na Índia, onde o ecossistema tecnológico cresce rapidamente, mas onde as expectativas culturais sobre mulheres em cargos de liderança ainda podem ser profundamente enraizadas.

A resistência que enfrentou no início não estava relacionada apenas à concorrência. Ela foi estrutural: desde o registro das empresas até a formação de equipes e a defesa de sua própria visão em ambientes onde sua autoridade era discretamente questionada.

Ahlawat explicou: “Ainda existe uma percepção comum de que mulheres precisam de apoio constante ou validação de colegas homens quando tomam decisões estratégicas.”

Sua estratégia foi simples: preparar-se mais do que todos e entregar resultados superiores. Ela passou a chegar a todas as reuniões armada de conhecimento, clareza e confiança inabalável. Com o tempo, até os céticos se tornaram apoiadores.

Sobre o papel das mulheres na inovação em inteligência artificial aplicada a jogos, ela recorre a uma referência inesperada: a mitologia. Na cultura indiana, explica ela, o feminino divino existe em duas formas — a criadora que nutre e a força transformadora que remodela o mundo. Para Ahlawat, essas duas qualidades também estão presentes na contribuição das mulheres para a tecnologia.

Ela acrescenta: “O design de jogos hoje não é apenas tecnologia; trata-se de entender comportamento humano, experiência do jogador, narrativa e engajamento.”

Seu conselho para empreendedoras é direto: busquem conhecimento, desenvolvam domínio técnico e ultrapassem limites convencionais. Afinal, cada pessoa tem apenas uma vida — e deve vivê-la da maneira que acredita ser correta.

Poder de decisão

Monica Shafaq (retratada na imagem principal, segunda da direita), ex-CEO da Gordon Moody, dedicou sua carreira a enfrentar os impactos negativos do jogo problemático. Para ela, o Dia Internacional da Mulher não se resume a discutir tetos de vidro — mas sim às pessoas que muitas vezes ficam à margem da indústria.

Shafaq afirma: “Historicamente, os sistemas de tratamento foram moldados em torno de padrões masculinos de comportamento no jogo, o que pode fazer com que as necessidades das mulheres sejam ignoradas, ainda que de forma involuntária.”

Ela defende abordagens de jogo responsável sensíveis às diferenças de gênero, baseadas em evidências, conduzidas por lideranças diversas e conectadas a modelos de tratamento adaptáveis, informados por experiências de trauma e verdadeiramente acessíveis.

Shafaq enfatiza: “Inclusão verdadeira não se resume à representação em cargos de liderança. Trata-se de garantir que os sistemas que construímos respondam a todos os afetados pelos danos relacionados ao jogo.”

Segundo ela, parcerias transparentes, baseadas em evidências e focadas em impacto entre organizações sociais e empresas são as mais eficazes. Isso inclui apoiar programas de tratamento voltados especificamente para mulheres e promover campanhas de conscientização que reduzam o estigma e incentivem a busca por ajuda.

Vendas globais além da persuasão

Sona Tunyan (retratada na imagem principal à esquerda), líder de vendas B2B na 18Peaches, já fechou negócios em Ásia, Europa e América Latina. Ao longo da carreira, percebeu que diferenças culturais, e não necessariamente de gênero, costumam ser o maior desafio.

Tunyan explica: “Na Ásia, confiança e relacionamento geralmente são construídos antes mesmo de começar qualquer discussão de negócios. Na Europa, estrutura e clareza costumam orientar as negociações. Já na América Latina, conexão pessoal e energia podem acelerar as coisas muito rapidamente.”

Ela destaca que a flexibilidade cognitiva das mulheres — a capacidade de mudar estratégias rapidamente e se adaptar — pode ser uma vantagem competitiva em um setor como o iGaming, que muda constantemente. “Mulheres empoderadas empoderam outras mulheres. Ver mulheres liderando negociações, influenciando estratégias e tomando decisões importantes foi realmente inspirador para mim. Isso me mostrou que a liderança nesta indústria pode assumir muitas formas.”

Construindo enquanto prova legitimidade

Quando Tapasya Shukla (retratada na imagem principal, segunda da esquerda), fundadora e diretora-geral da Zutsu Esports, decidiu criar sua empresa, ela não estava apenas lançando uma startup — estava entrando em um território onde quase nenhuma mulher havia chegado antes. Não havia um mapa a seguir. Ela precisou desenhar o próprio caminho. “Como mulher fundadora em esports, muitas vezes você não é ouvida imediatamente. Você é interrompida. Questionam suas decisões. Pedem que você explique novamente escolhas que já foram validadas.”

Seu conselho para mulheres que querem entrar no marketing de iGaming é claro: “Construa substância antes da visibilidade. Em iGaming e esports, relacionamentos não são transações. Eles são capital de longo prazo. Sua credibilidade se acumula com o tempo. Se você entrega resultados de forma consistente, as pessoas lembram.”

A indústria está ouvindo

Apesar das diferenças entre suas trajetórias, essas quatro mulheres contam essencialmente a mesma história. A indústria de iGaming enfrenta um problema de diversidade — não apenas em quem ocupa os cargos mais altos, mas também em quais necessidades influenciam os produtos, políticas e sistemas de apoio criados pelo setor. Elas não estão esperando permissão. Em vez disso, estão redefinindo a indústria ativamente, decisão após decisão, parceria após parceria, política após política.

Neste Dia Internacional da Mulher, a pergunta mais importante que o setor pode fazer não é como celebrar as mulheres, mas como abrir espaço para que elas liderem.

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