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Educação financeira redefine comportamento no iGaming nas Filipinas

Jenny Ortiz-Bolivar
Escrito por Jenny Ortiz-Bolivar
Traduzido por Thawanny de Carvalho Rodrigues

O aumento da educação financeira nas Filipinas está transformando a forma como os jogadores interagem com o iGaming, com líderes do setor apontando uma mudança clara de gastos impulsivos para decisões mais conscientes e planejadas.

De acordo com o Bangko Sentral ng Pilipinas (BSP), o banco central do país, o nível de conhecimento sobre produtos e serviços financeiros está hoje amplamente disseminado. Segundo a Consumer Finance and Inclusion Survey (CFIS) 2025 do BSP, 90% dos adultos filipinos estão familiarizados com pelo menos um produto financeiro formal. Essa crescente conscientização vem impulsionando mudanças de comportamento também no setor de entretenimento digital, incluindo jogos online.

Jogadores filipinos passam a agir de forma mais consciente e cautelosa

Renz Chong, CEO e cofundador da Virtual One, alerta que não se deve confundir conscientização com compreensão financeira profunda, mas reconhece uma mudança clara de direção.

“Um jogador mais consciente financeiramente não necessariamente gasta menos; ele passa a gastar de forma mais intencional”, afirmou em entrevista à SiGMA News.

“No mercado de iGaming nas Filipinas, isso aparece de três formas. Primeiro, disciplina de gastos: os jogadores tendem a comparar canais, percebem mais facilmente fricções em transações e respondem melhor a ferramentas que ajudam no controle de despesas”, explicou Chong.

“Segundo, percepção de risco: há menos tolerância a termos vagos, probabilidades pouco claras, taxas ocultas ou processos de saque que pareçam pouco confiáveis. Terceiro, expectativa de produto: os usuários passam a esperar que plataformas de iGaming funcionem mais como serviços financeiros digitais confiáveis, com taxas claras, pagamentos seguros, mecanismos de proteção visíveis e responsabilidade real”, acrescentou.

Em entrevista exclusiva à SiGMA News, John Calderon, sócio executivo da Consulcy Advisory Group, reforçou essa tendência. “O aumento do custo de vida é um fator-chave. A inflação e questões globais tornaram os itens básicos mais caros, então os filipinos estão fazendo orçamentos mais cuidadosos e priorizando necessidades essenciais”, afirmou.

Como resultado, segundo Calderon, os jogadores estão mais criteriosos com seus gastos. “Isso leva a um comportamento mais controlado e menos impulsivo do que no passado.” A pesquisa do BSP reforça esse cenário, mostrando que 74% dos entrevistados acertaram pelo menos metade das questões básicas de educação financeira, indicando uma melhoria consistente na capacidade financeira da população.

(Fonte: Bangko Sentral ng Pilipinas’ 2025 Consumer Finance and Inclusion Survey)

Cresce a conscientização sobre cripto, mas confiança ainda é essencial

Embora o conhecimento sobre criptomoedas e ativos virtuais tenha aumentado, especialistas do setor alertam que isso não se traduz necessariamente em adoção dentro do iGaming regulamentado.

O BSP informou que “o conhecimento sobre ativos virtuais e criptomoedas aumentou de 6% em 2021 para 20% em 2025”, refletindo um avanço impulsionado pela ampla adoção de smartphones e acesso à internet. No entanto, o investimento efetivo ainda é baixo: apenas 1% dos investidores filipinos possuem esses ativos.

Chong reforçou que conscientização, por si só, não é suficiente para mudar comportamento. “Consciência não é confiança, e é a confiança que determina o comportamento de pagamento”, afirmou.

Ele também destacou restrições regulatórias, observando que as autoridades filipinas adotam uma postura rígida em relação ao uso de cripto no gaming. “As operadoras não podem assumir que maior conscientização significa sinal verde para fluxos diretos de apostas em criptomoedas”, disse Chong, citando controles mais rigorosos de pagamento e a proibição do uso de criptomoedas em apostas sob regulamentação local.

Segundo ele, a oportunidade real está no aprimoramento dos sistemas de pagamento tradicionais. “A oportunidade imediata não é ‘migrar para cripto o mais rápido possível’, mas sim construir experiências de pagamento mais rápidas, fluidas, rastreáveis e totalmente em conformidade.”

Calderon reforçou essa visão, observando que, embora plataformas como carteiras digitais tenham ampliado a exposição às criptos, “isso ainda não faz parte do arcabouço regulatório para operadores licenciados”. Ele acrescentou que a maior parte da atividade envolvendo cripto no gaming ocorre em mercados offshore ou cinzentos.

Para operadores licenciados, a prioridade segue bem definida. “O foco não é a integração com cripto, mas sim melhorar os sistemas de pagamento em moeda fiduciária, o uso de carteiras digitais e a eficiência geral das transações, mantendo total conformidade regulatória”, afirmou Calderon.

Jogo responsável ganha força com avanço da educação financeira

O avanço da educação financeira também está fortalecendo as bases do jogo responsável nas Filipinas, embora especialistas reforcem que a responsabilidade ainda recai principalmente sobre os operadores.

Chong destacou que o aumento da conscientização eleva as expectativas dos jogadores, em vez de reduzir as obrigações das empresas. “Uma maior educação financeira certamente contribui para um ambiente de jogo mais sustentável e responsável, mas não elimina a responsabilidade das operadoras. Pelo contrário, eleva o padrão exigido”, disse.

Ele observou que jogadores mais informados tendem a verificar se as plataformas são regulamentadas, entender como seu dinheiro é gerido e exigir mecanismos de proteção. O relatório do BSP mostrou que cerca de 64% dos filipinos verificam se os provedores financeiros são regulamentados antes de interagir com eles online.

“É aqui que as operadoras têm uma grande oportunidade”, acrescentou Chong. “Muitas plataformas ainda não oferecem ferramentas básicas de confiança, como painéis de controle de gastos, limites de depósito e apostas, opções de autoexclusão, processos claros de saque e comunicações em linguagem simples.”

Calderon, por sua vez, destacou a ligação entre educação financeira e engajamento sustentável. “Jogadores com maior consciência financeira tendem a gerenciar melhor seus gastos e a jogar de forma mais controlada. Isso reduz comportamentos impulsivos e contribui para um engajamento mais estável no longo prazo”, afirmou.

“Isso também está alinhado com o esforço da Philippine Amusement and Gaming Corporation (PAGCOR) para fortalecer estruturas de jogo responsável e melhorar a proteção ao jogador dentro do setor regulamentado”, acrescentou.

Para ambos os especialistas, o comportamento dos jogadores filipinos está evoluindo e redefinindo o setor. Eles afirmam que confiança, transparência e conformidade deixaram de ser diferenciais e passaram a ser expectativas centrais no iGaming.

Como resumiu Chong, operadoras que acompanham essa transformação “têm mais chances de conquistar confiança e reter usuários de maior qualidade ao longo do tempo”, enquanto aquelas que não se adaptarem correm o risco de ficar para trás em um mercado cada vez mais exigente.

Manila está chamando — e não é um sussurro. De 31 de maio a 3 de junho de 2026, a SiGMA Asia retorna como o grande destaque da região. Com 16.000 participantes, 3.040 operadores e mais de 250 palestrantes reunidos sob o mesmo teto, isso não é apenas uma feira. É o ponto de partida.

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