Em uma entrevista exclusiva à SiGMA News, Oleksandr Feshchenko fala sobre mentalidade vencedora, aprendizados do esporte aplicados ao setor de iGaming e por que a parceria com José Mourinho vai muito além de uma ação de marketing. Feshchenko, duas vezes eleito Melhor CEO do setor de tecnologia pela European CEO, compartilha sua visão sobre o futuro do segmento B2B e explica quais características diferenciam os líderes de mercado daqueles que ficam para trás.
O que Mourinho pode ensinar ao iGaming
SiGMA News: Este ano, a GR8 Tech trouxe José Mourinho para o projeto Champions Club. Mourinho construiu sua carreira com base em tática, disciplina e preparação. Na sua visão, como a experiência dele na formação de equipes campeãs se relaciona com os desafios enfrentados pelos líderes do iGaming? Quais princípios do futebol podem ser aplicados na construção de um negócio B2B bem-sucedido em um ambiente altamente competitivo?
Oleksandr Feshchenko, CEO da GR8 Tech: A carreira de José Mourinho mostra que vencer ao longo do tempo nunca é fruto do acaso. Ele teve sucesso em contextos muito diferentes, com equipes, expectativas e pressões distintas. Isso só é possível quando existe uma metodologia clara por trás de tudo. É preciso disciplina, preparação, um plano bem definido e capacidade de adaptação sem perder os padrões de qualidade. Isso vale tanto para o iGaming quanto para o futebol.
A realidade é que os líderes do iGaming atuam em um ambiente extremamente exigente, no qual não dá para depender da sorte ou esperar que tudo simplesmente se encaixe. É preciso entender o mercado, tomar decisões inteligentes desde cedo e construir um negócio capaz de performar de forma consistente quando realmente importa. É por isso que Mourinho se encaixa tão bem no projeto Champions Club. A mentalidade por trás do sucesso dele é muito próxima da que defendemos na GR8 Tech.
Vários aprendizados do futebol se aplicam diretamente à construção de um negócio B2B sólido. O primeiro é que boa parte da vitória é definida antes mesmo do jogo começar. O segundo é que estrutura importa — até o maior talento pode ter desempenho abaixo do esperado se não houver um sistema adequado ao redor. E o terceiro é a adaptabilidade: os líderes mais fortes sabem se ajustar a diferentes condições e mercados sem abrir mão do que os torna bem-sucedidos.
Preparação acima da sorte
SiGMA News: O sucesso de longo prazo no esporte e no iGaming é construído com base em preparação, não sorte — e essa é a ideia central da sua parceria com Mourinho. Quais são as principais lições da sua década de experiência no iGaming que sustentam essa filosofia?
Feshchenko: Minha experiência me mostrou que preparação se traduz em ações muito práticas. Isso envolve entender a dinâmica do mercado antes da entrada, desenvolver tecnologia capaz de suportar demanda em grande escala e manter contato próximo com operadores para resolver problemas rapidamente. Além disso, é essencial saber dizer “não” para iniciativas que não agregam valor. Existe sempre a tentação de confundir atividade com progresso, ou picos de curto prazo com estratégia.
Um bom exemplo é a migração de plataforma. Uma das decisões mais difíceis para qualquer operador é abandonar tecnologias legadas. É um processo complexo, demorado e sempre com riscos — por isso tantas empresas adiam essa decisão por anos. Mas nossa experiência mostra que ficar parado muitas vezes é o maior risco. Vimos na prática que upgrades e migrações bem-sucedidas exigem as mesmas qualidades que levam ao sucesso no esporte: comprometimento, foco e disciplina para executar decisões difíceis. Não dá para construir o futuro permanecendo preso a sistemas que atrasam inovação, limitam flexibilidade e dificultam o crescimento.
SiGMA News: Pelo segundo ano consecutivo, a European CEO te nomeou o melhor CEO em tecnologia. Os jurados destacaram sua capacidade de transformar estratégia tecnológica em resultados comerciais mensuráveis. Como isso reflete tendências mais amplas no iGaming? Você já alertou sobre o perigo da acomodação após o sucesso — como os líderes do setor podem evitar essa armadilha?
Feshchenko: Acho que esse reconhecimento reflete uma tendência importante no setor de iGaming. Por muito tempo, as empresas conseguiam falar de inovação de forma ampla e genérica. Hoje, isso já não é suficiente. Os operadores querem ver exatamente como a tecnologia melhora o tempo de entrada no mercado, o engajamento dos jogadores, a eficiência operacional e a rentabilidade. Em outras palavras, tecnologia só tem valor quando gera resultado comercial.
É assim que pensamos na GR8 Tech. Não desenvolvemos tecnologia por simples novidade. Nosso foco é criar soluções que ajudem os operadores a lançar mais rápido, performar melhor, personalizar de forma mais eficaz e crescer de maneira controlada. Esse tipo de abordagem deixa pouco espaço para acomodação. Quando uma meta é alcançada, a pergunta passa a ser: o que isso exige de nós agora? Como empresa, isso significa manter metas ambiciosas, disciplina na execução e proteger a cultura que tornou o sucesso possível desde o início.
Os valores da parceria com Usyk
SiGMA News: A colaboração com o boxeador Oleksandr Usyk sob o slogan “Undisputedly GR8” reforça valores como comprometimento e excelência. Agora, uma parceria com Mourinho. O que une esses dois atletas no contexto da mensagem para o setor de iGaming? Quais desafios específicos dos mercados dos Bálcãs e da Europa você considera mais relevantes e que exigem profunda expertise do setor?
Feshchenko: O que une Usyk e Mourinho, para nós, é que eles representam duas faces da mesma mentalidade vencedora. Usyk simboliza resiliência, comprometimento e excelência sob pressão. Mourinho representa preparação, disciplina tática e a capacidade de construir sistemas vencedores. Personalidades diferentes, esportes diferentes, mas a mesma mensagem para o iGaming: sucesso de longo prazo não é sorte. É exatamente por isso que a parceria com Usyk evoluiu naturalmente para a história do Champions Club com Mourinho.
No caso dos Bálcãs e da Europa, o maior desafio incontestável é a complexidade. Trata-se de uma região em crescimento, mas altamente fragmentada, com realidades regulatórias, de compliance e comerciais diferentes entre os países. Nos Bálcãs, em especial, os operadores também lidam com mudanças rápidas nas regras e uma concorrência intensa. Por isso, o sucesso nunca depende de uma entrada ampla no mercado, mas sim de conhecimento local profundo, forte compliance, localização inteligente e alta performance operacional.
Para onde o iGaming está caminhando
SiGMA News: Desde 2015, o setor de iGaming evoluiu de plataformas simples para ecossistemas complexos, incluindo sportsbooks, cassinos, marketing de afiliados e, agora, compra de mídia. Como o papel dos provedores B2B evoluiu diante dessas mudanças? Quais habilidades e competências são hoje essenciais para equipes envolvidas no desenvolvimento de produtos para operadores?
Feshchenko: Os fornecedores deixaram de ser apenas provedores de plataforma e passaram a atuar como parceiros de crescimento e inovação. Historicamente, a principal necessidade dos operadores era uma tecnologia de backend estável. No entanto, o cenário atual exige plataformas flexíveis e extensíveis, capazes de acompanhar a evolução das necessidades dos usuários e as mudanças rápidas do mercado. As competências mais críticas hoje são: design modular de produto, expertise em dados e inteligência artificial, agilidade regulatória e forte capacidade de integração. Igualmente importante é a mentalidade consultiva: as melhores equipes trabalham de perto com os operadores para adaptar produtos aos seus mercados, públicos e estratégias.
SiGMA News: Considerando os números de receita, o setor está prestes a uma nova aceleração. Com base na sua experiência, quais regiões e verticais devem apresentar maior crescimento? Que tipo de expertise os operadores precisam para liderar nesses mercados, e como o papel do parceiro de tecnologia está evoluindo nesse processo?
Feshchenko: Vejo o crescimento mais forte vindo de regiões onde a demanda está acelerando rapidamente, mas a concorrência ainda está em fase de maturação — especialmente na América Latina (LATAM) e em partes da Ásia. Localização rápida, compreensão do comportamento do jogador e adaptação do produto às preferências regionais podem gerar uma vantagem rápida e tangível nesses mercados.
É por isso que o papel do parceiro de tecnologia está mudando de forma tão significativa. Hoje, esse parceiro precisa viabilizar crescimento estratégico. Isso significa oferecer soluções escaláveis e flexíveis, ao mesmo tempo em que entrega performance robusta de backend, capacidades de personalização, ferramentas orientadas por dados e confiabilidade operacional. Os operadores que vão vencer serão aqueles que combinam expertise de mercado com o parceiro tecnológico certo — alguém que os ajude a localizar mais rápido e se diferenciar de forma mais eficiente.
SiGMA News: O setor enfrenta mudanças regulatórias, crescimento do segmento ilegal e transformações tecnológicas. Quais são os principais desafios para os próximos 2 a 3 anos? A diversificação ajuda a superá-los ou a chave da sustentabilidade está em outro lugar?
Feshchenko: O maior desafio do setor será manter a competitividade à medida que ele se torna mais regulado e operacionalmente complexo. A regulação está se intensificando em praticamente todos os grandes mercados, e a direção é clara: exigências de licenciamento mais rígidas, reforço nas regras de proteção ao jogador e maior transparência financeira. Isso aumenta os custos de compliance e exige que os operadores incorporem, dentro dos próprios produtos, capacidades de KYC, pagamentos, jogo responsável e gestão de dados.
A diversificação pode ser positiva, mas precisa ser intencional. Adicionar verticais sem melhorar a economia unitária do negócio pode, na verdade, enfraquecer a operação. O ponto mais importante para a sustentabilidade é disciplina operacional: melhor compliance e gestão de margens, maior retenção, produtos e pagamentos localizados e uma plataforma confiável.
Conclusão
Nesta entrevista exclusiva à SiGMA News, Oleksandr Feshchenko reforça de forma consistente a ideia de que, no iGaming — assim como no esporte de elite — não há espaço para o acaso. As parcerias com Usyk e Mourinho não são apenas colaborações de imagem, mas um manifesto da filosofia da GR8 Tech: quem se prepara melhor, vence. Em um ambiente de crescente pressão regulatória e competição cada vez mais intensa, o sucesso não será de quem confia na sorte, mas de quem constrói sistemas, investe em preparação e mantém disciplina mesmo após as vitórias. Segundo Feshchenko, essa abordagem definirá os líderes da indústria na próxima década.
Este artigo foi publicado originalmente em russo em 20 de abril de 2026.
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