A Orange está ampliando suas ambições na África à medida que a adoção digital avança rapidamente em todo o continente. A empresa estabeleceu a meta de alcançar 75 milhões de usuários para seu super app Max It até 2028.
Durante o Mobile World Congress Barcelona, o CEO Yasser Shaker apresentou a estratégia. Segundo ele, a plataforma atualmente atende cerca de 25 milhões de usuários em diversos mercados.
O aplicativo Max It reúne serviços financeiros móveis, streaming, jogos e telecomunicações em um único ecossistema. Shaker descreveu a meta como intencionalmente ambiciosa, com o objetivo de impulsionar o crescimento interno. “Um super app significa que as pessoas podem encontrar tudo em um só lugar — marketplace, streaming de TV, jogos e pagamentos”, afirmou.
Expansão além da conectividade
A Orange não depende mais exclusivamente dos serviços tradicionais de telecomunicações para crescer. Em vez disso, está construindo um ecossistema digital diversificado na África e no Oriente Médio. Dados e conectividade continuam sendo o principal motor de crescimento, com aumento de receita de cerca de 18% nesse segmento.
Os serviços financeiros móveis também avançam rapidamente, com o Orange Money registrando crescimento de aproximadamente 18% no último ano. A plataforma processa cerca de €20 bilhões em transferências por mês e atende aproximadamente 47 milhões de usuários em sua área de atuação.
Os serviços corporativos e de TIC (tecnologia da informação e comunicação) também ganham espaço, mesmo partindo de uma base menor. O segmento B2B como um todo cresce cerca de 10%, refletindo a crescente demanda das empresas por infraestrutura digital. No geral, a divisão teve seu melhor desempenho até agora em 2025: a receita aumentou mais de 12%, enquanto o EBITDA cresceu quase 14%, elevando as margens para perto de 40%.
A vantagem demográfica da África
A demografia africana segue sendo central para a estratégia de longo prazo da Orange. O continente conta com mais de 1,5 bilhão de pessoas e uma população majoritariamente jovem. Com idade média em torno de 20 anos, a demanda por serviços digitais cresce rapidamente.
A cultura mobile-first acelera a adoção de pagamentos, entretenimento e plataformas online. A Orange opera em 18 mercados na África e no Oriente Médio, sendo que nenhum país representa mais de 10% do negócio regional.
Essa presença diversificada reduz a exposição a riscos geopolíticos e cambiais, além de permitir à empresa escalar seus serviços em diferentes ambientes regulatórios.
IA, localização e capacitação digital
A inteligência artificial está se tornando central nas operações da Orange na África. Ela contribui para a otimização de redes e análises em tempo real do comportamento dos usuários, especialmente em mercados predominantemente pré-pagos. A IA também acelera o desenvolvimento de plataformas como o Max It, permitindo atualizações mais rápidas e experiências mais personalizadas.
A adaptação local continua sendo essencial, devido à diversidade linguística e aos diferentes níveis de alfabetização no continente. A Orange está testando ferramentas de IA que suportam idiomas locais, com o objetivo de ampliar a acessibilidade.
Além do crescimento comercial, a empresa investe na formação de competências digitais. Seus Orange Digital Centres já capacitaram mais de 1,3 milhão de pessoas. Parcerias com universidades e empresas de tecnologia estão ampliando o acesso a programas gratuitos de formação. Essas iniciativas buscam fortalecer um ecossistema digital sustentável na região.
Implementação do 5G e expansão de infraestrutura
A Orange está acelerando a implementação do 5G em mercados-chave da África. A tecnologia já está sendo expandida em países como Egito, Marrocos, Botsuana, Senegal e Tunísia. Em muitas regiões, o 5G é utilizado para acesso fixo sem fio, em vez de serviços móveis tradicionais, ajudando a levar banda larga a áreas com infraestrutura limitada de fibra.
As redes de fibra continuam concentradas em grandes centros urbanos, enquanto o 5G surge como uma solução mais escalável para ampliar a conectividade em regiões rurais. A empresa enfrenta concorrência de grandes players regionais, como MTN Group, Airtel Africa e Vodacom.
Apesar da concorrência de fintechs e neobancos, a Orange mantém confiança em sua estratégia. Shaker destacou a importância de condições regulatórias equilibradas para todos os participantes do mercado.
Impacto no setor de iGaming
A estratégia de super app da Orange pode transformar significativamente o cenário de iGaming na África. A integração entre pagamentos, jogos e conectividade reduz as barreiras de entrada para os usuários. Com o Orange Money integrado ao Max It, as transações se tornam mais rápidas e acessíveis.
Isso é especialmente relevante em mercados onde a inclusão bancária ainda é limitada. Uma base maior de usuários também cria novos canais de distribuição para operadores de jogos. Empresas do setor podem se integrar diretamente a super apps para alcançar milhões de potenciais jogadores.
A população jovem e altamente conectada reforça ainda mais o crescimento do iGaming. À medida que o uso de smartphones aumenta, cresce também a demanda por entretenimento digital e plataformas de apostas.
A personalização baseada em inteligência artificial pode aumentar o engajamento dos usuários nas plataformas de jogos, contribuindo para maior retenção e experiências mais alinhadas ao perfil de cada jogador. No entanto, o aumento da escala tende a atrair maior atenção regulatória.
Governos podem adotar regras mais rígidas relacionadas ao jogo responsável e aos pagamentos digitais. Para operadores, estabelecer parcerias com ecossistemas liderados por telecoms pode se tornar essencial.
Super apps como o Max It estão evoluindo para se tornar portas de entrada para a economia digital africana. À medida que a Orange avança rumo à meta de 75 milhões de usuários, sua influência deve ir além das telecomunicações, posicionando a empresa no centro do ecossistema digital e de iGaming em rápida expansão no continente.
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