Especialistas afirmam que a inteligência artificial e a personalização deixaram de ser tendências distantes — elas são hoje os motores que redefinem a forma como as empresas crescem, se comunicam e competem. Da tomada de decisões automatizada ao engajamento hiperpersonalizado de clientes, a IA está transformando cada camada da economia global. Durante o DMAP DigiCon 2025, realizado em Manila, nas Filipinas, o especialista em tecnologias emergentes Dex Hunter-Torricke destacou que as empresas que não se adaptarem a essa transformação correm o risco de perder relevância em um mercado movido por dados, insights e conexões humanas.
Em sua palestra principal, Hunter-Torricke afirmou que esta década representa um ponto de virada na forma como o valor é criado e compartilhado. Ele apontou o crescimento da economia do conhecimento como a base do novo modo de operação e competição empresarial.
“Vivemos um capítulo extraordinário da história — a chegada da economia global do conhecimento. Pela primeira vez, a capacidade de criar e distribuir informação tornou-se o principal motor de valor no mundo. Essa transformação mudou a forma como vivemos, trabalhamos e nos conectamos uns com os outros”, destacou Hunter-Torricke.
A década da aceleração

O especialista alertou que, à medida que as capacidades da IA evoluem mais rápido do que a maioria das organizações consegue acompanhar, os próximos anos colocarão à prova a liderança e a resiliência institucional. Segundo ele, a velocidade das mudanças tecnológicas vai redefinir estratégias empresariais — e até mesmo a estabilidade social.
De novas ferramentas de produtividade a modelos de aprendizado de máquina capazes de reproduzir o raciocínio humano, o ritmo de avanço não dá sinais de desaceleração. Muitos dos maiores laboratórios de IA do mundo já experimentam sistemas com potencial de inteligência geral, o que levanta questões sobre governança e responsabilidade.
“A próxima década será o momento mais desafiador da história. A velocidade das mudanças está acelerando, e os sistemas em que confiamos por gerações estão sendo redefinidos. Estamos sendo forçados a repensar o que realmente significam progresso, trabalho e liderança”, afirmou.
A escada da IA: evolução rápida dos modelos
Hunter-Torricke mostrou o quão rápido a IA está avançando — não apenas em poder, mas também em acessibilidade. O que antes era restrito a laboratórios especializados agora está ao alcance de startups e criadores individuais. O resultado é um cenário de inovação em constante mudança, que impacta todos os setores.
“Quase toda semana surgem novos modelos de IA cada vez mais sofisticados. Eles estão nos conduzindo em direção a algo muito mais inteligente e capaz do que qualquer coisa que já tivemos. É uma aceleração extraordinária — algo que a humanidade nunca experimentou antes”, explicou.
Personalização e conexão no dia a dia
O presidente da conferência DigiCon, Alan Fontanilla, por sua vez, abordou como a personalização impulsionada por IA já molda o comportamento do consumidor no cotidiano. Ele observou que a maioria das pessoas experimenta isso de forma inconsciente — das playlists que escutam aos anúncios que veem — e que essa camada invisível de relevância está redefinindo como as marcas constroem confiança.
“Essa é uma personalização que acontece nas nossas vidas diárias, e muitas vezes nem percebemos. Mais do que isso, mostra o quão profundamente a tecnologia está conectada a nós — frequentemente de formas que mal notamos. Ela deixou de ser algo que usamos para se tornar algo que nos entende”, disse Fontanilla.

A hiperpersonalização como novo padrão
As empresas deixaram de focar apenas em automação ou eficiência. A hiperpersonalização — criação de experiências únicas para cada indivíduo — tornou-se uma estratégia central em diversos setores. Hunter-Torricke ressaltou que a IA permite isso em uma escala antes inimaginável.
“Estamos entrando em uma era em que a IA abre caminho para a hiperpersonalização — produtos, serviços e sistemas feitos sob medida para cada pessoa. Não se trata mais apenas de eficiência; trata-se de empatia em escala. Isso vai redefinir a relação entre pessoas, tecnologia e sociedade”, concluiu.
Fortalecendo pequenos negócios com dados
Fontanilla destacou como o uso inteligente de dados pode transformar até mesmo pequenas empresas locais. Ele explicou que microvarejistas e vendedores independentes agora conseguem alcançar seus clientes com a mesma precisão que antes exigia recursos de grandes corporações.
“Com os insights certos, eles estão dobrando as vendas — não com promoções genéricas, mas com ofertas que realmente importam para seus clientes. Isso não é marketing de massa; é algo inteligente, local e pessoal”, afirmou Fontanilla.
Personalização como necessidade empresarial
O que começou como uma tendência de marketing tornou-se um imperativo central para os negócios. Fontanilla ressaltou que empresas que ainda tratam a personalização como opcional já estão ficando para trás. Para os consumidores, relevância não é mais um diferencial — é uma expectativa que impacta diretamente lealdade e conversão.
“Isso não é um ‘extra interessante’. É uma exigência de marca, de negócio e de resultado. Seja uma start-up em crescimento, uma marca consolidada ou até um profissional autônomo, todos agora têm o poder de tornar a experiência pessoal”, explicou.
Repensando a liderança na era da IA

Hunter-Torricke destacou que o avanço da inteligência artificial exige um novo tipo de liderança — uma que una criatividade e responsabilidade moral. Ele comparou o momento atual à Renascença, quando inovações em arte, ciência e filosofia foram impulsionadas por pessoas que valorizavam tanto a curiosidade quanto o senso de propósito coletivo.
“Cada vez mais, acredito que precisamos de líderes como os da era renascentista. Eram pessoas criativas, com senso de dever cívico e abertura a novas ideias. Na era da IA, essa combinação de imaginação e responsabilidade será essencial”, afirmou.
Ética, confiança e responsabilidade
Ambos os palestrantes concordaram que, à medida que a personalização se torna mais precisa, os padrões éticos também precisam evoluir. Fontanilla alertou que a conveniência nunca deve se sobrepor ao consentimento e que a confiança é hoje a base do marketing moderno.
“Só porque podemos personalizar, não significa que devemos fazê-lo sempre. Consentimento, privacidade, ética e confiança são as novas moedas do marketing contemporâneo. As pessoas não querem apenas relevância — elas querem respeito”, disse Fontanilla.Hunter-Torricke complementou afirmando que essa mesma disciplina ética deve se estender a desafios globais, como a sustentabilidade.
“Você pode até não levar as mudanças climáticas a sério — mas elas me levam muito a sério. A natureza não negocia conosco. Se não agirmos com urgência e visão de longo prazo, as consequências escaparão ao nosso controle.”
Moldando o futuro
“As grandes discussões continuam as mesmas — transformação, negócios, criatividade, dados e construção de marca. O que mudou radicalmente foi o como. A transformação digital nunca é estática; ela é fluida e está em constante evolução”, observou Fontanilla.
Hunter-Torricke encerrou sua palestra principal no DigiCon 2025 lembrando que o futuro não está pré-determinado. A tecnologia, disse ele, oferece ferramentas — mas não direção. Cabe às pessoas, empresas e governos decidir como essas ferramentas serão usadas.
“O futuro não é uma onda que nos arrasta. O futuro é o que nós moldamos. Cada escolha que fazemos hoje determina se esse futuro será de esperança — ou de prejuízo.”
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