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IA e personalização: como o mundo dos negócios está sendo transformado

Jenny Ortiz-Bolivar
Escrito por Jenny Ortiz-Bolivar
Traduzido por Thawanny de Carvalho Rodrigues

Especialistas afirmam que a inteligência artificial e a personalização deixaram de ser tendências distantes — elas são hoje os motores que redefinem a forma como as empresas crescem, se comunicam e competem. Da tomada de decisões automatizada ao engajamento hiperpersonalizado de clientes, a IA está transformando cada camada da economia global. Durante o DMAP DigiCon 2025, realizado em Manila, nas Filipinas, o especialista em tecnologias emergentes Dex Hunter-Torricke destacou que as empresas que não se adaptarem a essa transformação correm o risco de perder relevância em um mercado movido por dados, insights e conexões humanas.

Em sua palestra principal, Hunter-Torricke afirmou que esta década representa um ponto de virada na forma como o valor é criado e compartilhado. Ele apontou o crescimento da economia do conhecimento como a base do novo modo de operação e competição empresarial.

“Vivemos um capítulo extraordinário da história — a chegada da economia global do conhecimento. Pela primeira vez, a capacidade de criar e distribuir informação tornou-se o principal motor de valor no mundo. Essa transformação mudou a forma como vivemos, trabalhamos e nos conectamos uns com os outros”, destacou Hunter-Torricke.

A década da aceleração

 

O especialista em tecnologias emergentes Dex Hunter-Torricke fazendo seu discurso principal na DigiCon 2025, realizada em Pasay City, Filipinas. (Fonte: DMAP)

O especialista alertou que, à medida que as capacidades da IA evoluem mais rápido do que a maioria das organizações consegue acompanhar, os próximos anos colocarão à prova a liderança e a resiliência institucional. Segundo ele, a velocidade das mudanças tecnológicas vai redefinir estratégias empresariais — e até mesmo a estabilidade social.

De novas ferramentas de produtividade a modelos de aprendizado de máquina capazes de reproduzir o raciocínio humano, o ritmo de avanço não dá sinais de desaceleração. Muitos dos maiores laboratórios de IA do mundo já experimentam sistemas com potencial de inteligência geral, o que levanta questões sobre governança e responsabilidade.

“A próxima década será o momento mais desafiador da história. A velocidade das mudanças está acelerando, e os sistemas em que confiamos por gerações estão sendo redefinidos. Estamos sendo forçados a repensar o que realmente significam progresso, trabalho e liderança”, afirmou.

A escada da IA: evolução rápida dos modelos

Hunter-Torricke mostrou o quão rápido a IA está avançando — não apenas em poder, mas também em acessibilidade. O que antes era restrito a laboratórios especializados agora está ao alcance de startups e criadores individuais. O resultado é um cenário de inovação em constante mudança, que impacta todos os setores.

“Quase toda semana surgem novos modelos de IA cada vez mais sofisticados. Eles estão nos conduzindo em direção a algo muito mais inteligente e capaz do que qualquer coisa que já tivemos. É uma aceleração extraordinária — algo que a humanidade nunca experimentou antes”, explicou.

Personalização e conexão no dia a dia

O presidente da conferência DigiCon, Alan Fontanilla, por sua vez, abordou como a personalização impulsionada por IA já molda o comportamento do consumidor no cotidiano. Ele observou que a maioria das pessoas experimenta isso de forma inconsciente — das playlists que escutam aos anúncios que veem — e que essa camada invisível de relevância está redefinindo como as marcas constroem confiança.

“Essa é uma personalização que acontece nas nossas vidas diárias, e muitas vezes nem percebemos. Mais do que isso, mostra o quão profundamente a tecnologia está conectada a nós — frequentemente de formas que mal notamos. Ela deixou de ser algo que usamos para se tornar algo que nos entende”, disse Fontanilla.

Alan Fontanilla, presidente da DigiCon 2025, fazendo seu discurso de abertura na DigiCon 2025, realizada em Pasay City, Filipinas. (Fonte: DMAP)

A hiperpersonalização como novo padrão

As empresas deixaram de focar apenas em automação ou eficiência. A hiperpersonalização — criação de experiências únicas para cada indivíduo — tornou-se uma estratégia central em diversos setores. Hunter-Torricke ressaltou que a IA permite isso em uma escala antes inimaginável.

“Estamos entrando em uma era em que a IA abre caminho para a hiperpersonalização — produtos, serviços e sistemas feitos sob medida para cada pessoa. Não se trata mais apenas de eficiência; trata-se de empatia em escala. Isso vai redefinir a relação entre pessoas, tecnologia e sociedade”, concluiu.

Fortalecendo pequenos negócios com dados

Fontanilla destacou como o uso inteligente de dados pode transformar até mesmo pequenas empresas locais. Ele explicou que microvarejistas e vendedores independentes agora conseguem alcançar seus clientes com a mesma precisão que antes exigia recursos de grandes corporações.

“Com os insights certos, eles estão dobrando as vendas — não com promoções genéricas, mas com ofertas que realmente importam para seus clientes. Isso não é marketing de massa; é algo inteligente, local e pessoal”, afirmou Fontanilla.

Personalização como necessidade empresarial

O que começou como uma tendência de marketing tornou-se um imperativo central para os negócios. Fontanilla ressaltou que empresas que ainda tratam a personalização como opcional já estão ficando para trás. Para os consumidores, relevância não é mais um diferencial — é uma expectativa que impacta diretamente lealdade e conversão.

“Isso não é um ‘extra interessante’. É uma exigência de marca, de negócio e de resultado. Seja uma start-up em crescimento, uma marca consolidada ou até um profissional autônomo, todos agora têm o poder de tornar a experiência pessoal”, explicou.

Repensando a liderança na era da IA

Participantes da DigiCon 2025 ouvindo o discurso principal de Dex Hunter-Torricke. (Fonte: DMAP)

Hunter-Torricke destacou que o avanço da inteligência artificial exige um novo tipo de liderança — uma que una criatividade e responsabilidade moral. Ele comparou o momento atual à Renascença, quando inovações em arte, ciência e filosofia foram impulsionadas por pessoas que valorizavam tanto a curiosidade quanto o senso de propósito coletivo.

“Cada vez mais, acredito que precisamos de líderes como os da era renascentista. Eram pessoas criativas, com senso de dever cívico e abertura a novas ideias. Na era da IA, essa combinação de imaginação e responsabilidade será essencial”, afirmou.

Ética, confiança e responsabilidade

Ambos os palestrantes concordaram que, à medida que a personalização se torna mais precisa, os padrões éticos também precisam evoluir. Fontanilla alertou que a conveniência nunca deve se sobrepor ao consentimento e que a confiança é hoje a base do marketing moderno.

“Só porque podemos personalizar, não significa que devemos fazê-lo sempre. Consentimento, privacidade, ética e confiança são as novas moedas do marketing contemporâneo. As pessoas não querem apenas relevância — elas querem respeito”, disse Fontanilla.Hunter-Torricke complementou afirmando que essa mesma disciplina ética deve se estender a desafios globais, como a sustentabilidade.

“Você pode até não levar as mudanças climáticas a sério — mas elas me levam muito a sério. A natureza não negocia conosco. Se não agirmos com urgência e visão de longo prazo, as consequências escaparão ao nosso controle.”

Moldando o futuro

“As grandes discussões continuam as mesmas — transformação, negócios, criatividade, dados e construção de marca. O que mudou radicalmente foi o como. A transformação digital nunca é estática; ela é fluida e está em constante evolução”, observou Fontanilla.

Hunter-Torricke encerrou sua palestra principal no DigiCon 2025 lembrando que o futuro não está pré-determinado. A tecnologia, disse ele, oferece ferramentas — mas não direção. Cabe às pessoas, empresas e governos decidir como essas ferramentas serão usadas.

“O futuro não é uma onda que nos arrasta. O futuro é o que nós moldamos. Cada escolha que fazemos hoje determina se esse futuro será de esperança — ou de prejuízo.”

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