No segundo dia da SiGMA AIBC Euro-Med, realizado no MMH, em Malta, uma das discussões mais intensas da manhã trouxe o painel “Por que você precisa — ou não precisa — de um token?”. A sessão foi conduzida por Mark Grech, fundador e CEO da Pyaza, que mediou um grupo de especialistas e executivos com experiência no lançamento de produtos baseados em blockchain no setor de jogos e demais segmentos. Participaram do debate Fabio Zammit, fundador e CEO da Root Codex; Matthew Felice Pace, CEO da Simply Staking; Sabine Roiss, fundadora da Crypto-Play; e Mike Danshin, CMO da 1win Crypto. O foco foi prático: quando um token realmente gera valor, por que tantos projetos fracassam e quais lições as equipes aprenderam em meio a “reinícios forçados”.
A discussão deixou as expectativas claras. Hoje, o lançamento de tokens não depende apenas do hype; seu sucesso ou fracasso está ligado à utilidade do produto, ao design do token, ao planejamento de liquidez e a um investimento de marketing realista. Como disse um dos participantes: “construa primeiro o produto e a comunidade, depois deixe que o token os sirva.”
“Pergunte-se por que você precisa de um token, o que os usuários ganham com ele e como você os alcançará de forma sustentável.”
Economia de tokens iGaming
O painel destacou a diferença entre tokens que têm uso concreto e aqueles que apenas alimentam especulação. No iGaming, eles podem facilitar programas de fidelidade, níveis VIP e pagamentos dentro de uma plataforma, além de ampliar o acesso para quem prefere transações em cripto. No entanto, Matthew Felice Pace alertou para um risco comum: “Quando um projeto lança um token, muitas vezes o sucesso passa a ser medido pelo preço de mercado, e não pelo que o produto realmente entrega. O roadmap não pode ficar refém de um gráfico”, afirmou.
Sabine Roiss reforçou a importância da utilidade e da coerência. “A utilidade precisa vir em primeiro lugar; os incentivos devem premiar a participação genuína”, disse, destacando modelos em que os detentores têm benefícios claros, como redução de taxas, acesso a eventos exclusivos ou recompensas selecionadas — em vez de promessas vagas.
Já Mike Danshin chamou atenção para os custos e desafios regulatórios em diferentes jurisdições: “Pergunte-se por que precisa de um token, o que os usuários ganham com isso e como alcançá-los com custo sustentável”, afirmou. Ele destacou que restrições à publicidade e a fiscalização sobre influenciadores tornam o hype sem lastro em orçamento um risco considerável.
Lições com os fracassos
Mas por que tantos tokens de jogos tropeçam? O painel apontou erros recorrentes e possíveis soluções imediatas:
- Economia de token mal estruturada, com oferta inflada e demanda sufocada; é preciso desenhar emissões, utilidades e direitos com cuidado.
- Ausência de utilidade clara além de captação de recursos; tokens precisam liberar vantagens concretas no produto.
- Subestimação da liquidez e da atuação de market makers; é fundamental planejar a profundidade antes da listagem.
- Falhas de conformidade e custos elevados de listagem; orçamentos devem incluir auditorias, listagens e operações comunitárias.
- Tratamento do token como peça de marketing em vez de ferramenta funcional.

Fabio Zammit apontou falhas básicas de execução: “O tempo de chegada ao mercado e o orçamento de marketing são os principais problemas. Muitas equipes precificam listagens e gestão de comunidade tarde demais no planejamento”, observou.
O consenso do painel foi que os caminhos mais sólidos hoje estão ligados a meios de pagamento estáveis e ativos do mundo real. Quando tokens são utilizados, devem se aproximar mais de instrumentos produtivos, como participação em receitas ou direitos de acesso bem definidos — e não de promessas indefinidas. Nas palavras do moderador, a questão não é se um token pode ser emitido, mas se ele realmente merece estar no produto.
A mensagem final foi simples e prática: se o token gera valor para jogadores e operadores, fortalece programas de fidelidade, facilita pagamentos e é sustentado por uma economia sólida, ele tem lugar. Caso contrário, um produto robusto com opções de liquidação já consolidadas pode servir melhor aos usuários.
Com o painel encerrado, a SiGMA já mira o próximo encontro. A SiGMA Europa Central 2025 acontecerá em Roma, de 3 a 6 de novembro de 2025, e dará continuidade ao debate sobre blockchain, cripto e aplicações reais no universo do iGaming.



