Skip to content

Você precisa de um Token na economia do iGaming?

Rami Gabriel
Escrito por Rami Gabriel
Traduzido por Thawanny de Carvalho Rodrigues

No segundo dia da SiGMA AIBC Euro-Med, realizado no MMH, em Malta, uma das discussões mais intensas da manhã trouxe o painel “Por que você precisa — ou não precisa — de um token?”. A sessão foi conduzida por Mark Grech, fundador e CEO da Pyaza, que mediou um grupo de especialistas e executivos com experiência no lançamento de produtos baseados em blockchain no setor de jogos e demais segmentos. Participaram do debate Fabio Zammit, fundador e CEO da Root Codex; Matthew Felice Pace, CEO da Simply Staking; Sabine Roiss, fundadora da Crypto-Play; e Mike Danshin, CMO da 1win Crypto. O foco foi prático: quando um token realmente gera valor, por que tantos projetos fracassam e quais lições as equipes aprenderam em meio a “reinícios forçados”.

A discussão deixou as expectativas claras. Hoje, o lançamento de tokens não depende apenas do hype; seu sucesso ou fracasso está ligado à utilidade do produto, ao design do token, ao planejamento de liquidez e a um investimento de marketing realista. Como disse um dos participantes: “construa primeiro o produto e a comunidade, depois deixe que o token os sirva.”

“Pergunte-se por que você precisa de um token, o que os usuários ganham com ele e como você os alcançará de forma sustentável.”

Economia de tokens iGaming

O painel destacou a diferença entre tokens que têm uso concreto e aqueles que apenas alimentam especulação. No iGaming, eles podem facilitar programas de fidelidade, níveis VIP e pagamentos dentro de uma plataforma, além de ampliar o acesso para quem prefere transações em cripto. No entanto, Matthew Felice Pace alertou para um risco comum: “Quando um projeto lança um token, muitas vezes o sucesso passa a ser medido pelo preço de mercado, e não pelo que o produto realmente entrega. O roadmap não pode ficar refém de um gráfico”, afirmou.

Sabine Roiss reforçou a importância da utilidade e da coerência. “A utilidade precisa vir em primeiro lugar; os incentivos devem premiar a participação genuína”, disse, destacando modelos em que os detentores têm benefícios claros, como redução de taxas, acesso a eventos exclusivos ou recompensas selecionadas — em vez de promessas vagas.

Já Mike Danshin chamou atenção para os custos e desafios regulatórios em diferentes jurisdições: “Pergunte-se por que precisa de um token, o que os usuários ganham com isso e como alcançá-los com custo sustentável”, afirmou. Ele destacou que restrições à publicidade e a fiscalização sobre influenciadores tornam o hype sem lastro em orçamento um risco considerável.

Lições com os fracassos

Mas por que tantos tokens de jogos tropeçam? O painel apontou erros recorrentes e possíveis soluções imediatas:

  • Economia de token mal estruturada, com oferta inflada e demanda sufocada; é preciso desenhar emissões, utilidades e direitos com cuidado.
  • Ausência de utilidade clara além de captação de recursos; tokens precisam liberar vantagens concretas no produto.
  • Subestimação da liquidez e da atuação de market makers; é fundamental planejar a profundidade antes da listagem.
  • Falhas de conformidade e custos elevados de listagem; orçamentos devem incluir auditorias, listagens e operações comunitárias.
  • Tratamento do token como peça de marketing em vez de ferramenta funcional.
Mark Grech (à direita), fundador e CEO da Pyaza, moderou um painel de desenvolvedores e profissionais de marketing que desenvolveram produtos blockchain para jogos e outras áreas. Os palestrantes foram Fabio Zammit (segundo da direita), fundador e CEO da Root Codex; Matthew Felice Pace (ao centro), CEO da Simply Staking; Sabine Roiss (segunda da esquerda), fundadora da Crypto‑Play; e Mike Danshin (à esquerda), CMO da 1win Crypto.

Fabio Zammit apontou falhas básicas de execução: “O tempo de chegada ao mercado e o orçamento de marketing são os principais problemas. Muitas equipes precificam listagens e gestão de comunidade tarde demais no planejamento”, observou.

O consenso do painel foi que os caminhos mais sólidos hoje estão ligados a meios de pagamento estáveis e ativos do mundo real. Quando tokens são utilizados, devem se aproximar mais de instrumentos produtivos, como participação em receitas ou direitos de acesso bem definidos — e não de promessas indefinidas. Nas palavras do moderador, a questão não é se um token pode ser emitido, mas se ele realmente merece estar no produto.

A mensagem final foi simples e prática: se o token gera valor para jogadores e operadores, fortalece programas de fidelidade, facilita pagamentos e é sustentado por uma economia sólida, ele tem lugar. Caso contrário, um produto robusto com opções de liquidação já consolidadas pode servir melhor aos usuários.

Com o painel encerrado, a SiGMA já mira o próximo encontro. A SiGMA Europa Central 2025 acontecerá em Roma, de 3 a 6 de novembro de 2025, e dará continuidade ao debate sobre blockchain, cripto e aplicações reais no universo do iGaming.

This site is registered on wpml.org as a development site. Switch to a production site key to remove this banner.