Skip to content

Como a regulamentação está transformando o bingo multiplayer na América Latina

Rajashree Seal
Escrito por Rajashree Seal
Traduzido por Thawanny de Carvalho Rodrigues

À medida que os mercados regulados de jogos seguem avançando na América Latina, países como Brasil, Peru, Colômbia e Argentina vêm transformando a forma como operadores estruturam suas estratégias de jogos online. O mercado regulado de apostas do Brasil, lançado em 2025, aumentou a concorrência entre operadores licenciados e ampliou o foco em compliance, localização e retenção de jogadores no longo prazo. Ao mesmo tempo, operadores em toda a região demonstram interesse crescente em experiências multiplayer e jogos baseados em interação social, especialmente diante do aumento contínuo dos custos de aquisição de usuários.

Para entender melhor como a regulamentação está impactando as estratégias de jogos multiplayer na América Latina, a SiGMA News conversou com Alejandro Revich, CEO da END 2 END, fornecedora de bingo multiplayer com operações em Buenos Aires e Miami.

Na primeira parte desta série exclusiva de entrevistas da SiGMA News, Revich explica como a regulamentação está remodelando o bingo multiplayer na América Latina e por que os operadores começam a revisitar a vertical para além de sua imagem tradicional. Ele também compartilha suas perspectivas sobre liquidez, localização, engajamento social e retenção, além de levantar preocupações sobre a forma como os produtos de bingo multiplayer estão sendo interpretados nos novos marcos regulatórios, especialmente no Brasil.

SiGMA World: A América Latina costuma ser descrita como uma região de alto crescimento. Na prática, o que realmente mudou nos últimos 12 a 18 meses e onde o bingo multiplayer se encaixa nesse cenário?

Alejandro Revich, CEO da END 2 END: O que realmente mudou foi a regulamentação. Argentina, Brasil, Peru e Colômbia avançaram significativamente, enquanto Chile e Equador também seguem evoluindo. É essa transformação regulatória que impulsiona o crescimento, e não apenas o entusiasmo do mercado. O bingo sempre foi familiar para os jogadores latino-americanos. Ele está associado ao entretenimento familiar e a uma forma mais leve de jogo, com a qual muitas pessoas cresceram. Em meio à popularidade dos caça-níqueis, do pôquer e dos crash games, o bingo acabou ficando um pouco de lado, mas seu público nunca desapareceu.

Nós trabalhamos com essa vertical há bastante tempo, e muitas de suas características estão alinhadas com o que os operadores buscam atualmente: interação social, menor volatilidade, recursos de comunidade, maior retenção e custos de aquisição relativamente mais baixos. Existe um interesse renovado pelo segmento, e os operadores começaram a enxergá-lo de outra maneira.

SiGMA World: Quando um mercado como o Brasil avança para a regulamentação, o que muda primeiro do ponto de vista do produto? O que os operadores passam a precisar de imediato e que antes não era prioridade?

Revich: A oferta de produtos está diretamente ligada à forma como os reguladores compreendem o próprio jogo. No Brasil, uma preocupação importante é que a natureza do bingo ainda não parece ter sido totalmente compreendida dentro do marco regulatório. O país possui uma longa história com o bingo e, se a regulamentação não estiver alinhada às expectativas dos jogadores, o mercado não regulamentado tende a se beneficiar dessa lacuna.

Se a dinâmica do jogo sofrer restrições que pareçam estranhas para o público, os operadores licenciados serão os mais prejudicados. Acreditamos que os reguladores precisam analisar com mais atenção como essa vertical tradicionalmente funciona e como os jogadores já estão acostumados a interagir com ela. Para os operadores, as prioridades ficam mais claras assim que um mercado regulado é aberto. O bingo precisa ser tratado como um produto competitivo e não apenas como uma oferta secundária, mas sem perder a experiência que os jogadores reconhecem e esperam encontrar.

SiGMA World: Produtos multiplayer são mais complexos do que jogos tradicionais baseados em RNG. Onde normalmente surgem os maiores obstáculos durante os processos regulatórios?

Revich: Produtos multiplayer exigem muito mais da infraestrutura tecnológica. Isso inclui tempo de resposta, sincronização, forma de exibição das informações e capacidade de lidar com um grande número de jogadores interagindo simultaneamente no mesmo ambiente.

O principal atrito costuma surgir quando o bingo é tratado como um produto secundário, e não como uma vertical especializada com exigências operacionais próprias. Os desafios vão muito além de funcionalidade básica e segurança. Os elementos sociais também precisam funcionar adequadamente, incluindo chats, bônus, prêmios garantidos e promoções. Quando esses componentes não são implementados corretamente, toda a experiência é prejudicada — e é justamente aí que reguladores e operadores costumam identificar problemas.

SiGMA World: Jogos multiplayer dependem de uma base ativa de jogadores. Como fazer isso funcionar em mercados onde a liquidez ainda está em desenvolvimento ou fragmentada?

Revich: Nesse aspecto, o bingo é muito parecido com o pôquer. Quanto maior o número de jogadores ativos, mais atrativa a experiência se torna. Os operadores normalmente trabalham isso de diferentes maneiras, como oferecendo estruturas de premiação atrativas, mantendo recursos de comunidade ativos e garantindo que a plataforma suporte grandes volumes de usuários simultâneos. Moderadores também desempenham um papel importante para manter o engajamento dos jogadores nos ambientes de chat.

A tecnologia já permite liquidez compartilhada entre operadores e jurisdições quando a regulamentação autoriza esse modelo. Porém, a principal limitação geralmente é regulatória, e não tecnológica. Algumas jurisdições ainda não permitem o compartilhamento de pools de jogadores, mesmo sem evidências de que isso aumente a proteção ao usuário. Na prática, isso pode resultar em prêmios menores para jogadores que fazem apostas semelhantes, reduzindo a atratividade geral do produto.

SiGMA World: Que diferenças você observa no comportamento dos jogadores de bingo multiplayer em comparação com slots, especialmente em retenção e duração das sessões?

Revich: São dois universos completamente diferentes. Os dois formatos oferecem experiências muito distintas. Os slots costumam ser rápidos, de alta volatilidade e relativamente isolados, com jogadores interagindo individualmente com o jogo. O bingo multiplayer tende a ser muito mais voltado para comunidade e entretenimento. Os jogadores interagem entre si por meio dos chats, reconhecem nomes familiares e frequentemente criam conexões sociais contínuas dentro do ambiente do jogo. A volatilidade é menor e as sessões costumam durar mais, em parte porque os usuários passam tempo em uma experiência compartilhada, e não apenas focados no resultado final.

A retenção também tende a ser mais forte por esse motivo. Além disso, o bingo costuma ser menos agressivo em termos de gasto por sessão quando comparado aos slots, o que pode tornar os custos de aquisição mais sustentáveis para operadores que priorizam estratégias de engajamento de longo prazo, em vez de focar apenas em atividade imediata.

Fique ligado na Parte Dois, em que Alejandro Revich falará sobre localização, comportamento dos jogadores e os motivos pelos quais operadores ainda enfrentam dificuldades nos mercados latino-americanos. A próxima parte também abordará liquidez compartilhada, regulamentação e o crescimento dos jogos multiplayer guiados por comunidades.

O pavio já foi aceso. Na SiGMA North America 2026, que acontece na Cidade do México entre 1º e 3 de setembro de 2026, a América do Norte encontra a América Latina. O evento reunirá 4 mil participantes para três dias de negócios, insights e conexões entre startups. Conteúdo relevante. Negócios reais. Garanta sua vaga.

This site is registered on wpml.org as a development site. Switch to a production site key to remove this banner.